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A bancada do Jornal Nacional e o valor das âncoras

Da locução de Cid Moreira ao salário milionário de Renata Vasconcellos: como a bancada do Jornal Nacional virou o posto mais valioso do telejornalismo.

Uma cadeira que vale mais que qualquer outro posto da TV

Quando Cid Moreira estreou na bancada do Jornal Nacional, em 1969, o Brasil ainda engatinhava na TV em cores e o apresentador era, antes de tudo, uma voz. A imagem do locutor de terno e gravata lendo as notícias com dicção impecável definiu por décadas o que o país entendia por credibilidade. Meio século depois, a mesma cadeira — agora ocupada por César Tralli e Renata Vasconcellos — segue sendo o posto mais disputado e mais caro do telejornalismo brasileiro.

Não é por acaso. A bancada do JN concentra três ativos que nenhuma outra função da grade reúne: audiência diária, prestígio institucional e a função de fiador da informação. Quando o país precisa saber o resultado de uma eleição, é ali que ele liga a televisão.

Do locutor ao âncora-editor

A primeira grande transformação veio nos anos 1980, quando o JN deixou de ser um telejornal de leitura para se tornar um produto de autoria. Com William Bonner, a partir de 1996, o apresentador passou a acumular a função de editor-chefe: não só lia as notícias, mas decidia o que entrava, em que ordem e com que peso.

O que isso mudou

Essa acumulação de funções tornou o cargo insubstituível na prática — e, portanto, caro. O âncora-editor virava o rosto e a assinatura de um produto diário que responde diretamente pelo ibope da faixa nobre. Salários nessa casa nunca foram apenas folha de pagamento: são investimento de marca.

A transição de 2025 e a nova economia da bancada

Em 3 de novembro de 2025, Bonner encerrou 29 anos à frente do JN e migrou para o Globo Repórter, abrindo espaço para a dupla Tralli e Renata Vasconcellos. A mudança reacomodou toda a hierarquia salarial da emissora — e é exatamente aí que reside a notícia desta semana: a Globo prepara uma nova tabela para o jornalismo, com Renata Vasconcellos prestes a cruzar a barreira do R$ 1 milhão mensal.

Historicamente, essa faixa era território de Bonner. A chegada de uma mulher a esse patamar não é só uma questão de equidade: é o reconhecimento de que a bancada do JN continuou sendo o epicentro de valor da emissora mesmo após a saída de seu maior símbolo.

Por que a bancada sempre valeu tanto

  • Continuidade: o público associa a voz e o rosto à confiança no noticiário;
  • Centralidade eleitoral: debates, apurações e sabatinas passam por ali;
  • Irreversibilidade simbólica: trocar um âncora é trocar a face de um produto de décadas.

É essa combinação que explica por que a Globo paga — e continuará pagando — tão caro por quem senta naquela cadeira. A bancada do Jornal Nacional não é apenas um emprego: é o posto onde a emissora deposita sua credibilidade diariamente, às 20h.

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Por Portal Bonner — redação independente.