A Band e o debate: a emissora que sempre abriu a arena
Da série de 1989 aos encontros de 2022, a Band construiu reputação como casa do debate presidencial. O 2º turno de 2026 confirma a vocação.
A emissora que fez do debate uma marca
Quando a Band levou ao ar, em 18 de outubro de 2026, o primeiro confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, não estava improvisando. Estava repetindo uma vocação que a emissora cultiva desde a redemocratização: abrir a arena quando as demais preferem a cautela.
O registro histórico ajuda a medir isso. Na eleição presidencial de 1989, a primeira em voto direto depois do regime militar, houve uma série de 8 debates televisionados no primeiro turno. Cinco deles foram hospedados pela então Rede Bandeirantes; os demais ficaram com SBT, TV Gazeta e Manchete.
1989: o debate nasce fora da Globo
O primeiro grande encontro dos presidenciáveis foi na Bandeirantes, em 17 de julho de 1989, seguido pelo "Encontro dos Presidenciáveis", em duas rodadas, em agosto. A emissora também realizou, naquele ano, o primeiro debate entre candidatos a vice-presidente. O formato era bruto, sem a engenharia de cronômetros que viria depois, e o candidato Collor optou por não debater no primeiro turno.
No segundo turno, a lógica mudou. Os dois debates entre Lula e Collor foram feitos em pool, com quatro emissoras (Globo, SBT, Manchete e Bandeirantes), quatro mediadores revezando a cada bloco e um jornalista de cada rede interrogando os candidatos. A Band era uma das quatro vozes, não a dona da arena.
A divisão de trabalho que durou décadas
Nas eleições seguintes, firmou-se uma divisão tácita. A Band abria a temporada de debates, com formato mais livre e público menor. A Globo, fiel ao "Padrão Globo de Qualidade", fechava a campanha com o último debate, em horário nobre e com formato próprio, inspirado no town hall americano em diversas eleições, de 2002 a 2022.
2022: a Band ultrapassa a Globo
A prova de que o modelo funcionava veio em 2022. O debate da Band no primeiro turno, em 28 de agosto, teve média de 13,1 pontos na Grande São Paulo e desbancou o Fantástico. No segundo turno, em 16 de outubro, o confronto entre Lula e Jair Bolsonaro marcou 12,4 pontos, com Adriana Araújo e Eduardo Oinegue na mediação, a mesma dupla de 2026.
Em três eleições distintas, a Band mostrou que debate é produto de audiência quando há conflito real entre os candidatos.
O legado: arena como patrimônio editorial
O que a história ensina é que a arena não pertence a quem tem a maior audiência cotidiana, e sim a quem insiste em abri-la. A Band transformou o debate em ativo de marca: quando os candidatos aceitam sentar, é para a Band que a audiência vai. Em 2026, depois de um primeiro turno sem debate entre os favoritos, essa insistência foi recompensada com o melhor resultado da emissora em quatro anos.
Leia mais: Os 30 minutos que resgatam o debate de 1989
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Por Portal Bonner — redação independente.