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A TV recuperou a arena que o 1º turno tinha esvaziado

Com 63,8 milhões de pessoas na apuração e quatro debates marcados, a Globo mostra que o problema de 2026 nunca foi falta de público, mas de palco.

A conta que o 1º turno não fechou

O primeiro turno de 2026 terminou com um placar paradoxal: a TV perdeu o debate que deveria ter sido o seu maior evento do ano, mas não perdeu o público. Os números divulgados nesta semana provam isso com clareza.

Toda a cobertura das eleições na Globo — TV aberta mais GloboNews — alcançou 63,8 milhões de pessoas no domingo da votação, um crescimento de 39% sobre a média dos quatro domingos anteriores. Não é o retrato de um público desinteressado; é o retrato de um público que continua indo à TV quando há algo para ver.

Os números que desmontam a tese da irrelevância

Vale olhar para o detalhe, porque é lá que a tese da "TV acabou" perde força:

  • O Fantástico, que entrou no ar mais cedo, às 17h, marcou 24 pontos — recorde no horário desde o segundo turno de 2022 e crescimento de 71% na faixa;
  • A GloboNews foi o canal mais visto de toda a TV paga no dia, com sua maior audiência em três anos e 19% acima do segundo colocado entre os canais de notícias;
  • O g1 registrou a maior audiência de pageviews dos últimos seis anos, superando em 8% o desempenho de 2022, com as páginas de apuração respondendo por mais de 60% do tráfego no dia.

A conclusão é direta: o público não abandonou a cobertura eleitoral. Ele se distribuiu entre telas — e a TV aberta continuou sendo o ponto de partida da conversa nacional.

O erro não foi de formato, foi de palco

Se o interesse existe, por que o primeiro turno foi um fiasco de debates? A resposta está na assimetria de incentivos que marcou a campanha: quem lidera quase nunca precisa do confronto, e o formato ficou refém dessa conta.

Lula evitou o palco enquanto era alvo único de vários candidatos de direita. Flávio, desafiante na época, cobrava o debate. A Globo reservou mais de três horas de horário nobre e cancelou o confronto menos de uma hora antes do ar, depois de uma sequência de decisões judiciais.

Faltava palco, não público. E palco, num sistema de incentivos mal calibrado, é justamente o que quem está na frente prefere não oferecer.

O que o 2º turno muda

O tête-à-tête reordena a lógica. Com apenas dois candidatos, o debate deixa de ser um palco onde vários atacam um só e passa a ser uma comparação direta de projetos — exatamente o que Lula chamou de "um contra um". Para Flávio, que saiu na frente, o cálculo se inverteu: ele agora é quem tem a perder.

É por isso que o calendário de quatro debates — Record (11), pool O Momento da Decisão (15), Band (18) e Globo (23) — importa mais do que a contagem de encontros. Ele sinaliza que a arena voltou a existir, ainda que dividida entre emissoras, pools e plataformas.

A TV não recuperou a exclusividade que teve nos anos 1990. Mas recuperou algo mais importante: a cerimônia. E, pelas 63,8 milhões de pessoas que acompanharam a apuração, o público estava esperando exatamente por isso.

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Por Portal Bonner — redação independente.