Aqui Agora: a saga do telejornal popular que desafiou o JN
Lançado em 1991, o Aqui Agora revolucionou a TV com telejornalismo popular e sensacionalista, desafiou o Jornal Nacional e sai do ar em 2026, após três versões.
O fenômeno que abalou a hegemonia do Jornal Nacional
Nos anos 1990, a televisão brasileira assistiu a um dos maiores fenômenos populares de sua história. O Aqui Agora, lançado pelo SBT em 20 de maio de 1991, desafiou a hegemonia do Jornal Nacional com um formato até então inédito no país: o telejornalismo popular, direto, sensacionalista, com câmera na mão e manchetes escandalosas na tela.
O programa ancorava-se no slogan "um jornal vibrante, uma arma do povo, que mostra na TV a vida como ela é!". Inspirado no argentino Nuevediario, do Canal 9, ele levou ao ar sequestros, tiroteios e perseguições policiais ao vivo — uma estética de "mundo cão" que eletrizou o público.
O estilo que reinventou o telejornal
O Aqui Agora foi pioneiro no uso do gerador de caracteres para sobrepor manchetes chamativas às imagens, e popularizou a câmera na mão nas reportagens. Seu grande foco eram as matérias policiais, com crimes e assassinatos narrados em tom dramático.
A ousadia não parava na pauta. O quadro de repórteres foi um celeiro de personagens que viraram celebridades: Celso Russomanno, em defesa do consumidor, elegeu-se deputado federal; Felisberto Duarte, o "Feliz", fazia a previsão do tempo com bordões como "piriri, pororó e tempos felizes!"; e o lutador Maguila chegou a comentar economia.
Na bancada, revezaram-se Ivo Morganti, Patrícia Godoy, Christina Rocha, Sônia Abrão, Jorge Helal e Liliane Ventura, entre outros. Muitos seguiram para carreiras políticas, impulsionados pela popularidade conquistada na tela.
Três vidas, três eras
O Aqui Agora teve três versões. A primeira, emblemática, durou de 1991 a 1997, com a icônica abertura baseada no tema de Star Wars. Em 2008, o SBT tentou o retorno com Luiz Bacci, Herbert de Souza, Christina Rocha e Joyce Ribeiro, mas a audiência decepcionou: Silvio Santos impôs a meta de oito pontos no Ibope, e o programa saiu do ar em 11 de abril daquele ano.
A terceira versão chegou em 4 de agosto de 2025, em formato mais leve e bem-humorado, com Dani Brandi e Marco Pagetti na bancada e Geraldo Luís como "arma secreta". Agora em alta definição e com tom cômico, o programa manteve os casos de polícia e do cotidiano, mas sem o mesmo impacto de outrora.
O legado de um estilo
A despedida definitiva, anunciada em 31 de julho de 2026, após um ano de baixa audiência, encerra um ciclo que marcou a TV brasileira. O Aqui Agora mostrou que o telejornal podia conversar com outra parcela do público, abrindo caminho para formatos populares que ainda hoje disputam o horário vespertino.
Mais do que um programa, ele foi a expressão de uma década em que a televisão descobriu o poder do apelo direto ao telespectador — um capítulo essencial da história do telejornalismo no Brasil.
Leia mais: Das 19h ao 4º lugar: como nasceu a guerra dos telejornais
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Por Portal Bonner — redação independente.