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Flávio marca 21 pontos e fica 19% abaixo de Lula na Globo

Sabatina de Flávio Bolsonaro no Jornal Nacional teve 21 pontos e 4,1 milhões de telespectadores em SP. Lula havia marcado 24,8 pontos na quinta.

A entrevista de Flávio Bolsonaro (PL) ao Jornal Nacional, na noite desta sexta-feira (16), registrou 21,2 pontos de audiência na Grande São Paulo e cerca de 4,1 milhões de telespectadores. É 19% menos que o desempenho de Lula (PT) na quinta-feira (15), quando a sabatina do presidente marcou 24,8 pontos e reuniu por volta de 4,9 milhões de pessoas.

Os números são da coluna F5, da Folha de S.Paulo, e do levantamento consolidado na Grande São Paulo — mercado de referência para a TV brasileira, onde cada ponto equivale a aproximadamente 199 mil telespectadores.

Uma sabatina atrás do JN e da novela

Na quinta-feira, a entrevista de Lula foi a maior audiência da televisão brasileira no dia. Ficou das 21h15 às 22h05, com 24,8 pontos de média e 40,1% de share, à frente do próprio Jornal Nacional (21,2 pontos e 35,1% de share) e da novela Quem Ama Cuida (23,6 pontos e 41,1% de share).

É um resultado que poucos programas alcançam em qualquer emissora: o entrevistado superou a ficção que a casa produz para o mesmo horário.

Na sexta, o movimento foi o inverso. Flávio marcou os mesmos 21,2 pontos que o Jornal Nacional havia feito na véspera — patamar alto, mas abaixo da linha das duas noites anteriores da própria Globo. A comparação proporcional é o dado mais eloquente: os 25 pontos arredondados de Lula ficaram cerca de um quinto acima dos 21 do senador.

O outro lado da curva

Vale a ressalva. A entrevista de Lula também não repetiu o próprio desempenho do primeiro turno: em 27 de agosto, quando foi sabatinado por César Tralli e Renata Vasconcellos, o presidente marcou 25,2 pontos. Ou seja, ficou 0,4 ponto abaixo de si mesmo, três semanas depois.

Flávio chegou à bancada nesta sexta com um cenário diferente: era a última entrevista do ciclo da Globo antes do debate da Band, e o eleitorado que o acompanha tem hábitos de consumo televisivo distintos. Ainda assim, a diferença de 3,6 pontos entre as duas sabatinas é a medida mais concreta de quem mobiliza mais público no horário nobre.

O que Flávio disse na bancada

Conduzida por Renata Lo Prete, a entrevista teve como principais pontos:

  • Escala 6x1: o senador prometeu manter o fim da jornada, aprovado pelo Senado nesta semana. Ele votou a favor apesar de ter sido contrário à mudança, e justificou: "rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores e votei conforme o que vi nas ruas".
  • Ajuste fiscal: negou cortar saúde e educação ou desvincular aposentadorias do salário mínimo. Propôs cortar "ao menos dez ministérios", vender imóveis públicos, securitizar dívidas e explorar petróleo na Margem Equatorial.
  • Mandato único: disse que pretende exercer apenas um mandato, sem tentar a reeleição.
  • Família no governo: afirmou que um cargo para o pai, Jair Bolsonaro, "não está no radar", e que o irmão Eduardo Bolsonaro não será chanceler.
  • Cápsulas de munição: questionado sobre projeto de sua autoria que retirava a marcação de cápsulas de armas compradas por forças de segurança, desviou: "quem está autorizado a usar armas de guerra, inclusive, são os bandidos".

A "cola" na mão e o que a campanha de Lula já mira

Flávio apareceu na sabatina com a palavra "motoboy" escrita na palma da mão. Não era novidade: em 28 de agosto, no primeiro turno, havia anotado "mudança", "futuro" e "7/set" na mão esquerda. O recurso foi herdado do pai, que transformou a cola na mão em marca registrada de sabatinas na Globo.

O momento ganhou peso porque veio quando a pergunta tratava da punição aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro. Flávio falou de entregadores de aplicativos e da suposta "vingança" do governo contra São Paulo por causa do prefeito Ricardo Nunes. Lo Prete interveio para lembrar que a pergunta era sobre quem invadiu e depredou prédios públicos e atacou policiais.

Do outro lado, a campanha de Lula já definiu o que pretende explorar a partir da entrevista: a simpatia do senador pela pauta armamentista, com a leitura de que o tema pode ampliar o apoio ao petista entre as mulheres no segundo turno e atrair eleitores que não votaram na primeira etapa.

Faltam nove dias para a votação de 25 de outubro. O próximo — e decisivo — encontro é o debate da Band, neste domingo, às 20h.

Leia mais: Lula defende maioridade penal e liga Flávio a Canella no JN

Leia mais: O teste de encaixe: o que a sabatina cobra de Renata Lo Prete

Fontes: Brasil 247, Bastidores da TV e g1.

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Por Portal Bonner — redação independente.