Jornal da Globo: a história do telejornal da madrugada
Desde 1979 no ar, o JG virou o último noticiário da Globo e a bancada onde Renata Lo Prete se firmou como referência de análise política na TV.
Quando o relógio passa da meia-noite, a TV brasileira muda de tom. Sem a pressa do horário nobre e sem a disputa ponto a ponto das novelas, o Jornal da Globo ocupa um espaço que nenhum outro telejornal conseguiu: o da conversa analítica, feita depois que o dia já terminou. Desde 1979 no ar, o JG se consolidou como o último noticiário da grade da Globo — e, não por acaso, como uma das bancadas mais longevas e prestigiadas da emissora.
O nascimento de um telejornal noturno
A primeira edição do JG foi ao ar em 1979, apresentada por Sérgio Chapelin e com Fabbio Perez na editoria-chefe. A ideia era simples e ambiciosa: fechar o dia com o que o Memória Globo descreve como "notícias da noite, mas também análises, críticas e opiniões sobre os principais assuntos do dia".
A trajetória, porém, não foi linear. A versão original ficou no ar de abril de 1979 a março de 1981, quando foi substituída pelo Jornal Nacional 2ª Edição. O JG só voltou em definitivo em 2 de agosto de 1982, editado por José Antônio Severo e exibido às 23h15 — já com um perfil que priorizava política, economia e cultura.
De Witte Fibe a Waack: as bancadas que formaram o formato
Em abril de 1993, o telejornal passou a ser produzido e editado em São Paulo. Lillian Witte Fibe assumiu como apresentadora e editora-chefe, num período em que o JG ficou marcado pelo aprofundamento econômico. Pela bancada passaram nomes como Luiz Cláudio Latgé, Odejaime de Holanda e Carlos Absalão.
Nos anos 2000, com a saída de Witte Fibe, Carlos Tramontina ficou por um curto período até a chegada de Ana Paula Padrão, que permaneceu até junho de 2005. Foi então que William Waack e Christiane Pelajo assumiram a dupla, dando ao JG um perfil mais dinâmico — até Pelajo deixar a bancada em outubro de 2015.
O cenário como personagem
O primeiro cenário do JG tinha bancada em forma de bumerangue e um lugar reservado para um convidado. Em 1993, a emissora concebeu um novo estúdio para "refletir dinamismo", com 54 monitores de TV capazes de projetar três imagens diferentes ao mesmo tempo. Em 2014, a bancada ganhou novo design, cores e efeitos de grafismo.
A era Renata Lo Prete
A partir de 2015, Renata Lo Prete passou a substituir Waack em suas ausências. Em novembro de 2017, com a saída do apresentador, ela assumiu sozinha a bancada — e ali construiu uma das marcas mais reconhecíveis do jornalismo da casa: a leitura crítica de conjuntura, a entrevista longa e a análise que não se apressa.
Durante a pandemia de covid-19, o JG chegou a ter 50 minutos de produção, em vez dos 30 habituais. Em junho de 2021, com a readequação da grade, fixou-se em 40 minutos diários de notícia no ar — sinal de que o formato sobreviveu justamente porque oferece algo que o noticiário corrido não entrega: contexto.
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Por Portal Bonner — redação independente.