O Clone e a ponte cultural entre o Brasil e o mundo árabe
A novela de Glória Perez virou fenômeno no Marrocos e no Oriente Médio, aproximando o Brasil do mundo árabe décadas antes da Copa de 2030.
Poucas vezes uma telenovela brasileira cruzou tão profundamente as fronteiras quanto "O Clone". Exibida pela Globo entre 2001 e 2002, a obra de Glória Perez narrou o amor proibido entre Jade, uma muçulmana, e Lucas, um brasileiro, e conquistou o mundo árabe de uma forma que poucos produtos culturais conseguiram.
Um fenômeno que nasceu na ficção e virou vínculo real
Gravada em boa parte no Marrocos, a novela apresentou ao Brasil os ritos, a estética e os dilemas da cultura árabe. No caminho inverso, levou a dramaturgia brasileira para milhões de lares no Oriente Médio, onde a trama foi traduzida e reprisada várias vezes.
O impacto não ficou na tela. A trama ajudou a construir uma imagem do país como produtor de conteúdo de qualidade e abriu espaço para que a TV brasileira fosse vista como uma ponte, e não apenas como um espelho.
O Marrocos e o orgulho de "O Clone"
Anos depois, quando William Bonner percorreu o Marrocos para a série Conexão 2030 do Globo Repórter, ouviu de moradores um relato curioso: eles têm muito orgulho do sucesso de "O Clone". A novela, para muitos, é a primeira grande referência cultural brasileira que conheceram.
Esse laço afetivo reforça a tese de que a ficção televisiva sempre foi uma das mais poderosas ferramentas de diplomacia cultural do país, especialmente antes da era do streaming.
Da telenovela à grande reportagem
O vínculo criado por "O Clone" reaparece agora em outro formato. Em vez da ficção, é a reportagem documental que assume a tarefa de reaproximar o Brasil do Marrocos, de Portugal e da Espanha — os três países-sede da Copa do Mundo de 2030.
A série Conexão 2030 do Globo Repórter faz, em linguagem jornalística, o mesmo movimento que a novela fez em sua época: aproximar culturas distantes e mostrar o que há de comum entre elas.
O futebol como pano de fundo
Se em 2001 o elo era o amor entre culturas, em 2026 o elo é o futebol. A Copa reúne os três países e o programa transforma essa coincidência esportiva em uma expedição cultural que revela ingredientes, costumes e histórias compartilhadas.
É a mesma vocação da TV brasileira de traduzir o mundo para o telespectador, só que agora com a câmera na mão do ex-âncora do Jornal Nacional.
Um legado que une ficção e jornalismo
A trajetória que vai de "O Clone" à Conexão 2030 mostra como a TV brasileira sempre encontrou maneiras de conectar o país ao mundo. Ora pela emoção da telenovela, ora pela informação da grande reportagem, o resultado é o mesmo: uma ponte cultural que poucas indústrias audiovisuais do mundo conseguem construir com tanta naturalidade.
Com a Copa de 2030 se aproximando, essa ponte tende a ficar ainda mais movimentada — e a TV brasileira, mais uma vez, será o veículo dessa travessia.
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Por Portal Bonner — redação independente.