O que a aposta do SBT em comentaristas revela sobre a TV
Em ano eleitoral, o SBT contrata nomes de política vindos da Globo. A jogada expõe a disputa por credibilidade e pela atenção que mobiliza o rosto do repórter.
Quando o SBT anunciou, no começo de setembro de 2026, a contratação do repórter Túlio Amâncio — recém-saído da GloboNews — como comentarista político em Brasília, a notícia foi tratada como mais um caso de mercado. Mas ela diz muito sobre para onde caminha o jornalismo político na tevê em ano eleitoral.
A tese
O que a jogada revela não é apenas uma disputa por profissionais, e sim uma disputa por credibilidade e atenção. Num momento em que a audiência se fragmenta entre streaming e redes, a política segue sendo o gênero que ainda consegue reunir milhões num único instante — como provaram as sabatinas do Jornal Nacional em agosto. Quem domina os nomes de política controla um dos últimos ativos de audiência da TV aberta.
Evidências no noticiário
O caso Túlio Amâncio reúne sintomas que se reforçam. De um lado, a GloboNews convive com reformulações desde o início do ano, e um repórter rebaixado que pede demissão após seis meses é o retrato dessa instabilidade. De outro, o SBT, que reposiciona seu jornalismo desde agosto, trata a contratação como reforço de imagem num calendário decisivo. O Estadão chamou a passagem do jornalista pela Globo de “relâmpago”; o desfecho mostra que, no mercado de talentos, projeto e função pesam mais que lealdade.
O contraponto da celebridade
Há um risco embutido na aposta. Quando o repórter de política vira celebridade — cultuado nas redes pela imagem e pela exposição —, a linha entre informar e entreter se confunde. Um comentarista que mobiliza fãs pode atrair audiência sem necessariamente aprofundar o debate. A credibilidade, o ativo mais valioso do jornalismo, se constrói na consistência, não no número de seguidores.
A leitura final
O SBT entendeu que, para enfrentar a Globo também na política, precisa de rosto e repertório. A Globo, por sua vez, terá de decidir como reter talentos que o mercado passou a valorizar como estrelas. Nessa guerra de bastidores, quem ganha é o telespectador — desde que o comentário de qualidade siga valendo mais do que o culto ao personagem.
Leia mais: Quando o repórter de política vira estrela na TV brasileira e Túlio Amâncio deixa a GloboNews e fecha com o SBT News
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Por Portal Bonner — redação independente.