O que a reformulação do jornalismo do SBT revela sobre a TV
A saída de Thiago Gardinali, a chegada de Rodrigo Bocardi e o fim de formatos mostram o rodízio de âncoras e a busca por audiência na TV aberta.
Nenhuma emissora mexe na grade apenas por impulso. A saída de Thiago Gardinali do SBT após cinco meses e a estreia de Rodrigo Bocardi no SBT Cidades, nesta semana, revelam uma tese de mercado: na TV aberta, o nome do apresentador deixou de ser garantia de audiência. O que passou a importar é o formato, a marca e a capacidade de fidelizar um público que já não assiste por hábito.
A tese: rodízio de âncoras como estratégia
O caso Gardinali é sintomático. Ele mantinha a vice-liderança no Ibope do seu horário e, ainda assim, saiu. Isso indica que a direção do SBT não mede o sucesso de um apresentador apenas pelo número do dia, mas pelo perfil editorial que quer construir. Em cinco meses, não deu tempo de criar identidade — e a emissora optou por cortar antes de esperar uma recuperação lenta.
A escolha de Bocardi reforça a tese. Em vez de outro nome jovem, o SBT trouxe um âncora consolidado, que já liderou o Bom Dia São Paulo por mais de uma década e foi apresentador eventual do Jornal Nacional. É a aposta no reconhecimento como antídoto para a fragmentação da audiência.
As evidências do movimento
- Fim de formatos: o Aqui Agora saiu do ar após um ano de baixa audiência.
- Reforço de peso: Bocardi e Érica Reis formam uma bancada com enorme experiência acumulada.
- Marco simbólico: a reestruturação coincide com a aproximação dos 45 anos do SBT.
- Ritmo acelerado: contratações e rescisões ocorrem em semanas, não mais em anos.
O contraponto
Há quem argumente que trocar de âncora é sintoma de falta de projeto, não de força. Novela sem novela, o SBT já tentou inúmeros formatos jornalísticos nos últimos anos, com resultados irregulares. Sem uma identidade clara, o risco é o mesmo de sempre: o novo telejornal começar bem pela curiosidade e esvaziar quando o público se acostumar.
Outro contraponto é a competição. Numa arena em que a Globo mantém o Jornal Nacional no topo e os canais digitais disputam o ao vivo, o SBT precisa de muito mais do que um nome famoso para virar o jogo.
O que isso diz sobre o momento da TV
A reformulação do jornalismo do SBT é um espelho do que acontece no setor inteiro: a TV aberta vive de ciclos curtos, testa formatos rapidamente e trata o apresentador como parte de um produto descartável. Ao mesmo tempo, a contratação de um veterano como Bocardi mostra que a experiência ainda vale — desde que venha embalada num formato novo e numa marca forte.
O SBT Cidades, a partir de 3 de agosto, será o laboratório dessa hipótese. Se der certo, Bocardi pode se tornar a referência de uma geração que reconstrói o jornalismo da emissora; se fracassar, será mais um capítulo da rotatividade que já virou regra no mercado.
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Por Portal Bonner — redação independente.