Quando candidatos faltaram a debates na TV brasileira
De Bolsonaro em 2018 a Lula em 2022 e 2026, a ausência de presidenciáveis virou tradição. Entenda como o debate perdeu força como rito eleitoral na TV.
O debate presidencial na TV é, há décadas, o maior rito da propaganda eleitoral brasileira. Foi diante das câmeras que eleições se decidiram, gafes viraram memes e candidatos se consagraram. Por isso, quando um favorito anuncia que pode faltar, o gesto ganha peso simbólico — e vira, ele mesmo, assunto de campanha.
O debate como instituição da TV brasileira
Desde o histórico encontro entre Fernando Collor e Lula em 1989, o debate transmitido ao vivo se tornou etapa obrigatória do calendário eleitoral. Emissoras como Band, SBT, Record e Globo disputam a organização, e os mediadores ganham fama nacional ao conduzir o confronto.
Naquele ano, o embate final entre os dois presidenciáveis ajudou a definir o segundo turno e consolidou o formato como o momento de maior audiência da campanha. Era uma era em que a TV aberta concentrava a atenção do país de forma quase absoluta.
Quando o boicote entrou na estratégia
A regra não escrita mudou aos poucos. Em 2018, Jair Bolsonaro, ainda se recuperando do atentado, não participou dos debates do primeiro turno — e venceu mesmo assim. O episódio mostrou que era possível ignorar o rito sem pagar preço eleitoral.
Quatro anos depois, em 2022, foi a vez de Lula faltar ao debate final do segundo turno da Globo, preferindo um ato de campanha. O recado foi claro: o palanque físico passou a disputar com o estúdio de TV a atenção do eleitor.
O precedente que marca 2026
Em 2026, a história parece se repetir. Lula sinalizou que deve faltar aos debates do primeiro turno para não "ouvir bobagem", enquanto o primeiro debate na TV foi adiado para 23 de agosto, na Band.
Cada ausência reforça uma mesma conclusão: o debate deixou de ser encarado como obrigação e virou escolha tática, medida pelos riscos e benefícios diante de uma audiência fragmentada.
A recusa ao debate não é mais um escândalo. É, cada vez mais, uma decisão calculada de comunicação política.
Leia mais: Debates presidenciais na TV: de 1989 a Tralli em 2026
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Por Portal Bonner — redação independente.