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SBT cancela debates após silêncio de Lula e Flávio Bolsonaro

O pool O Momento da Decisão desmarcou os confrontos de 14 e 18 de setembro, e Globo e Record acenderam o alerta para as próximas datas do calendário.

O que aconteceu

O pool de veículos O Momento da Decisão, liderado pelo SBT, confirmou o cancelamento dos debates presidenciais que estavam marcados para os dias 14 e 18 de setembro. A decisão veio depois de um silêncio prolongado de Lula e de Flávio Bolsonaro, os dois favoritos nas pesquisas, que não responderam às convocações dentro do prazo estipulado pela organização.

A regra era clara desde o anúncio: os confrontos só aconteceriam com a presença confirmada dos principais candidatos. Sem eles, o pool cumpriu o que havia prometido e desmarcou os eventos — um gesto raro no calendário eleitoral brasileiro, onde debates costumam ser adiados, mas raramente cancelados por ausência de quem lidera as intenções de voto.

O alerta em Globo e Record

Segundo relatos publicados nesta semana, o cancelamento acendeu um sinal de alerta nas duas outras grandes emissoras que ainda mantêm debates agendados para o primeiro turno: a Record, com data prevista para 27 de setembro, e a Globo, que programou o seu para 1º de outubro.

A preocupação é objetiva. Se o precedente se firmar, as emissoras podem investir estrutura, tempo de grade e horas de jornalismo para montar um palco que os favoritos simplesmente ignoram. O debate, que já perdeu público em 2026, corre o risco de perder também os personagens que dão sentido ao formato.

O que mudou nesta eleição

O ciclo de 2026 já havia dado sinais de esvaziamento. Em 23 de agosto, o primeiro debate presidencial, promovido pela Band, registrou apenas 2 pontos de ibope na Grande São Paulo, com três candidatos no palco e dois púlpitos vazios — justamente os de Lula e Flávio. Foi o menor número de participantes em um debate de abertura desde a redemocratização.

Desde então, a estratégia dos favoritos ficou mais nítida. Ambos preferiram o formato da sabatina individual, em que o candidato ocupa sozinho o palco, controla o tempo de fala e evita o confronto direto. Lula foi ao Jornal Nacional em 27 de agosto e bateu 26 pontos de audiência; Flávio foi no dia seguinte e levou até a célebre "cola" escrita na mão.

A repercussão

Nas redações, a leitura é de que o calendário eleitoral da TV deixou de ser definido pelas emissoras. Quem decide quando e onde o debate acontece são os candidatos que lideram — e eles só aparecem quando o formato lhes convém.

A decisão do pool do SBT também reacendeu o debate sobre a obrigatoriedade de participação. Projetos em tramitação propõem punições para quem faltar sem justificativa, incluindo multa e restrição de tempo no rádio e na TV. Nenhum deles, porém, está em vigor para este ciclo.

Procurados, os comitês de Lula e de Flávio não se manifestaram sobre o cancelamento até a publicação desta reportagem.

Leia mais: Jornal Hoje: o telejornal que formou gerações de âncoras

O que observar daqui para frente

  • Se a Record mantém o debate de 27 de setembro mesmo sem confirmação dos favoritos
  • Se a Globo repete a estratégia das sabatinas individuais em vez do confronto coletivo
  • Se o cancelamento do pool abre espaço para encontros organizados por veículos digitais, fora da TV aberta

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Por Portal Bonner — redação independente.