A Globo e a arte de se reorganizar ao longo de décadas
Das direções que centralizavam o poder na criação ao modelo de pilares de 2026, a Globo sempre se reinventou para os novos ciclos da TV.
Anúncios de reestruturação costumam parecer novidade, mas são capítulo recorrente na história da TV Globo. Quando o grupo anunciou, em setembro de 2026, uma nova organização em 11 diretorias com a unificação de TV Globo e Estúdios Globo, muita gente lembrou que a emissora passou décadas se reinventando para acompanhar o país e a tecnologia.
A era do comando centralizado
Nos anos 1960 e 1970, o poder criativo concentrava-se em poucas mãos. José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, comandou a programação por mais de duas décadas e ajudou a construir o modelo de grade que fez da Globo a líder de audiência. A estrutura era vertical: um pequeno núcleo decidia boa parte do que o Brasil assistiria no horário nobre.
No mesmo período, nomes como Cid Moreira e Sérgio Chapelin deram identidade ao Jornal Nacional, que estreou em 1969 e se tornou o símbolo do telejornalismo da casa — uma expressão da confiança que a emissora construía junto ao público.
Da centralização aos pilares
A partir dos anos 1990 e 2000, a Globo profissionalizou e descentralizou o comando. A consolidação do conglomerado, com a separação entre conteúdo, plataformas e jornalismo, abriu caminho para um modelo de diretorias especializadas. A figura do diretor de área ganhou peso em cada frente de negócio.
Com a chegada da era digital, o desafio tornou-se o oposto: o de reintegrar. A mesma empresa que nascia no streaming precisava dialogar com a TV aberta e com a produção de dramaturgia e jornalismo de forma cada vez mais conectada, sob pena de ver suas frentes competirem entre si.
O que a nova onda de 2026 repete
A reorganização anunciada em setembro segue a lógica histórica: simplificar o comando diante de uma nova fronteira tecnológica. Da centralização criativa de Boni aos pilares de hoje, a constante é a capacidade de mudar a própria estrutura antes que a audiência mude de hábito sozinha.
Como o jornalismo permanece sob Ricardo Villela, a movimentação reforça a aposta da casa em preservar a credibilidade das notícias enquanto reorganiza o negócio ao redor — o mesmo instinto que, décadas atrás, manteve a bancada do JN como intocada em meio a tantas viradas de comando.
Leia mais: Globo anuncia reestruturação com 11 diretorias e novas saídas
Leia mais: Sucessões no JN: o rito da bancada, de Cid a Bonner
📖 LIVRO RECOMENDADO
Brasil em Constituição
Globo Livros
Histórias e bastidores da série exibida no JN que mostrou os avanços conquistados com a Carta de 1988
VER NA AMAZON →Leia também
A Band e o debate: a emissora que sempre abriu a arena
Da série de 1989 aos encontros de 2022, a Band construiu reputação como casa do debate presidencial. O 2º turno de 2026 confirma a vocação.
Ler matéria →Os 30 minutos que resgatam o debate de 1989
Debate da Band entre Lula e Flávio terá 30 minutos de confronto livre. O formato resgata a lógica do embate direto que marcou 1989.
Ler matéria →O cronômetro do JN: a régua que virou entrevistador
Das leituras de Cid Moreira às sabatinas do 2º turno, o JN criou uma régua de tempo que hoje define quem manda na entrevista ao vivo.
Ler matéria →Comentários
Deixe seu nome e e-mail. Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.
Por Portal Bonner — redação independente.