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Sucessões no JN: de Cid a Bonner, o rito da bancada

Do reinado de Cid Moreira à era em que Bonner virou a própria instituição, a sucessão do JN é um rito que se repete sem jamais repetir o resultado.

Quando o telespectador liga a tevê e vê na bancada do Jornal Nacional um rosto que não é mais o de William Bonner, assiste ao fim — ou ao começo — de um rito que dura quase seis décadas. A sucessão do JN é a cerimônia mais delicada do telejornalismo brasileiro: um cargo que parece feito para ser preenchido por uma pessoa, mas que na prática só se consolida quando o âncora se torna maior que o próprio posto.

De Cid Moreira à consagração da voz

O Jornal Nacional estreou em 1º de setembro de 1969 e, três meses depois, ganhou a voz que o marcaria por 27 anos: a de Cid Moreira, ao lado de Hilton Gomes. A dupla inaugurou algo que a tevê brasileira até então desconhecia — o jornal como instituição com rosto. Cid não era apenas o leitor das manchetes; era a gravidade e a credibilidade do noticiário nacional.

O intervalo das transições rápidas

Entre os anos 1980 e 1990 o cargo passou por um período de rotatividade incomum. Sérgio Chapelin, que ocupou a vaga em duas grandes fases, tornou-se outro símbolo de longa permanência. Lillian Witte Fibe, em 1996, entrou para a história como a primeira âncora mulher fixa da bancada — uma mudança que na época foi tratada como risco e hoje é lembrada como marco.

Bonner: quando o âncora virou a instituição

Foi com William Bonner, porém, que a sucessão mudou de natureza. Bonner não apenas apresentou o JN por 29 anos: acumulou a edição, escreveu as colas, decidiu pautas e se tornou o rosto da cobertura eleitoral — da famosa “latinha” na apuração das Eleições. A cadeira passou a ser inseparável do jornalista. Quando Bonner deixou a bancada em novembro de 2025, a Globo enfrentou o problema inverso de 1969: não faltava quem sentar à mesa, faltava quem ocupasse o lugar.

O rito que se repete sem se repetir

A cada sucessão, a emissora repete o mesmo ritual — forma dupla, anuncia nomes, gerencia expectativas — e colhe resultados diferentes. Cid definiu a gravidade; Chapelin, a constância; Lillian, a ruptura; Bonner, a fusão total entre jornalista e jornal. A história ensina que não há fórmula: há apenas a aposta de que o próximo nome, no seu tempo, consiga transformar a cadeira em lugar.

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Por Portal Bonner — redação independente.