A partida de Renato Machado e o futuro do telejornalismo na TV
A morte de Renato Machado, somada às saídas de Bonner, Leilane e Renata, escancara o desafio da Globo de formar novas referências no jornalismo.
O fim de uma era no telejornalismo brasileiro
A morte de Renato Machado no dia 16 de julho de 2026, aos 83 anos, não é apenas a perda de um grande jornalista. É o símbolo mais recente de uma transição geracional que a televisão brasileira — especialmente a Globo — atravessa sem um plano claro de substituição.
Renato Machado, Cid Moreira, Sérgio Chapelin, Lillian Witte Fibe, William Bonner, Renata Vasconcellos, Leilane Neubarth. Em menos de dois anos, o telejornalismo brasileiro viu sua espinha dorsal se despedir — seja por aposentadoria, morte ou reestruturação de carreira. O que antes parecia uma sucessão natural agora tem contornos de apagão de referências.
O vácuo deixado pelos gigantes
Renato Machado representava um estilo de fazer jornalismo que está em extinção: o repórter que lia a pauta, apurava, escrevia e apresentava com a mesma desenvoltura. Durante 30 anos à frente do Bom Dia Brasil, ele construiu uma relação de intimidade com o telespectador que as métricas de audiência de hoje não conseguem dimensionar.
A Globo, historicamente, sempre soube cultivar e renovar seu casting de apresentadores. Mas a velocidade das mudanças recentes sugere que o processo de lapidação de novos nomes não acompanhou o ritmo das saídas. Enquanto isso, César Tralli assume o JN, uma nova dupla é definida para sua bancada, e o Globo Repórter ganha versão com Bonner — como se a emissora estivesse remontando um quebra-cabeça com peças que já não se encaixam como antes.
O paradoxo da audiência
Paradoxalmente, a Globo nunca foi tão assistida. Durante a Copa do Mundo de 2026, a emissora atingiu 133 milhões de pessoas em todo o país. O Jornal Nacional reassumiu o topo da audiência da casa. Mas a fragmentação é real: a CazéTV bateu recordes históricos no YouTube com as semifinais, e o público jovem migra para o digital.
O que a partida de Renato Machado escancara é que a Globo precisa de novas vozes que dialoguem com um Brasil que mudou — e que não se reconhece mais apenas no telejornal tradicional. A emissora que sempre foi referência em formar talentos enfrenta agora o maior teste de sua história: reinventar seu jornalismo para um país que já não acorda mais vendo TV.
O que esperar
As reformulações em curso — no JN, na GloboNews, no Bom Dia Brasil — indicam que a Globo está ciente do desafio. Mas substituir referências culturais não se faz com decreto editorial. Exige tempo, investimento em novos talentos e, sobretudo, a coragem de errar até acertar.
Renato Machado foi, como definiu Renata Vasconcellos, um farol. Faróis apontam direções, mas cabe a quem navega escolher o caminho. O telejornalismo brasileiro está no escuro, procurando o próximo farol.
Leia mais: Renato Machado: a trajetória do jornalista do Bom Dia Brasil
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Por Portal Bonner — redação independente.