← Notícias

GloboNews 30 anos: a história do 1º canal 24h de notícias

Inaugurada em 15 de outubro de 1996 pela Globosat, a GloboNews foi o primeiro canal de notícias 24 horas do Brasil e completa 30 anos em 2026.

O canal que inventou o noticiário 24 horas no Brasil

Quando a GloboNews entrou no ar, em 15 de outubro de 1996, a televisão brasileira ainda tratava notícia como um intervalo entre a novela e o futebol. Não havia, até então, um canal dedicado a informar 24 horas por dia. A GloboNews foi o primeiro — e, por isso, por três décadas ocupou um lugar que nenhuma concorrente conseguiu replicar com a mesma força.

A estreia foi obra da antiga Globosat, a programadora de TV por assinatura do Grupo Globo. Na época, o sinal chegava apenas a quem pagava por um pacote fechado — um público restrito, mas qualificado. O canal logo ganhou a alcunha de “CNN brasileira”, referência à emissora americana que havia criado o formato nos anos 1980.

A difícil invenção de um formato

Não havia manual. A GloboNews precisou criar do zero uma linguagem para o telejornalismo contínuo: rodízio de âncoras, blocos sem intervalo comercial fixo, entradas ao vivo a qualquer hora e a lógica do “em cima da hora”. O princípio era simples e brutalmente exigente — a notícia não espera o telejornal das 20h, ela acontece quando acontece.

Nos primeiros anos, o canal também repercutiu o noticiário de rua da casa: a cobertura do acidente com o Fokker da TAM e a explosão do mercado de informática e da internet no fim dos anos 1990 ajudaram a consolidar a ideia de que o público queria notícia em tempo real, não só à noite.

Em 2002, a expansão do sinal e a parceria com a Sky levaram o canal a mais lares. Em 2010, veio uma nova identidade visual, com cenários renovados e locução marcante. Em 2017 e 2022, o canal se reinventou de novo — a última reforma o aproximou esteticamente da Globo, dentro do projeto “Uma Só Globo”, com a grafia “news” em minúsculas e um vermelho mais claro.

Um elenco que virou referência nacional

O que separa a GloboNews dos concorrentes não é só o formato, é o plantel. Pelas suas bancadas passaram nomes que se tornaram a própria voz do noticiário nacional — de Míriam Leitão a Malu Gaspar, de Andréia Sadi a Natuza Nery. Em 2018, o canal foi apontado como o mais visto da TV por assinatura no segmento e Top of Mind pelo Datafolha.

A audiência, contudo, sempre foi o dado mais mal compreendido do negócio. Medir TV paga é diferente de medir TV aberta, e comparações apressadas já geraram confusão — o próprio Ibope chegou a desmentir levantamentos que misturavam metodologias. O que nunca esteve em dúvida foi a relevância: 30 anos depois da estreia, a GloboNews continua sendo o canal que as outras emissoras leem para saber o que dizer em seguida.

A herança de 1996

O primeiro canal 24h do Brasil provou que havia demanda por informação contínua. Ele abriu caminho para Record News, BandNews e, mais tarde, para os canais digitais e os videocasts que hoje disputam a atenção do público. Três décadas depois, o modelo segue de pé — e segue no centro da conversa pública, ainda que agora com um problema novo: virou o principal alvo do ódio digital.

Em outubro, quando o canal completa 30 anos, a pergunta que se impõe não é se ele sobreviveu — é o que significa, em 2026, ser a emissora que todos assistem e, ao mesmo tempo, a que todos atacam.

Leia mais: Por que o ódio digital abandonou Bonner e atacou a GloboNews

Leia mais: Flávio Bolsonaro confirma ida ao debate da Globo e desafia Lula

Comentários

Deixe seu nome e e-mail. Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.

Por Portal Bonner — redação independente.