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Por que o ódio digital abandonou Bonner e atacou a GloboNews

Relatório aponta 2.630 ataques à imprensa em duas semanas; sem Bonner na mira, o alvo virou o canal 24h, com Natuza Nery como a mais atacada.

O ódio mudou de endereço

Nas campanhas de 2018 e 2022, o alvo preferencial da militância digital extremista era um só: a Globo e, sobretudo, o então âncora do Jornal Nacional, William Bonner. Em 2026, o endereço mudou. Bonner saiu do jornalismo diário — hoje dedica-se ao Globo Repórter — e, com ele, saiu do radar do ataque organizado. O ódio, porém, não desapareceu: mudou de porta e bateu na GloboNews.

Quase não se ouvem mais interrupções indevidas nas transmissões ao vivo, quando o termo “globolixo” aparecia com frequência. Agora, segundo reportagem do Terra desta segunda-feira, os ataques se concentram no canal 24 horas — que completa 30 anos em outubro — e partem dos dois lados do espectro político.

Os números por trás da mudança

O dado mais concreto vem de um levantamento da Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), em parceria com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo: foram 2.630 ocorrências de ataques online à imprensa apenas entre 16 e 29 de agosto.

A jornalista mais atacada no X e no Instagram foi Natuza Nery, que comanda o Edição das 18h e o Central das Eleições. O padrão é revelador: não se atacam os âncoras de entretenimento, atacam-se os que analisam política todos os dias, no ar, sem edição e sem roteiro.

  • O infográfico do Estúdio i, em março, que associava Lula a Daniel Vorcaro, do Banco Master, obrigou Andréia Sadi a se desculpar no ar — e a tornou vítima de mensagens misóginas e ameaças físicas;
  • As análises de Malu Gaspar sobre decisões de ministros do STF provocaram protestos na web e notícias falsas para desmoralizá-la;
  • O comentário de Maria Cristina Fernandes no Em Pauta sobre a padroeira do Brasil foi tirado de contexto e virou material falso ligando Flávio Bolsonaro à ideia, forçando pedido público de desculpas do canal.

Por que o canal 24h virou o alvo

Há uma explicação estrutural. O que os apresentadores e comentaristas da GloboNews noticiam sobre os presidenciáveis ecoa mais forte do que as declarações de jornalistas de qualquer outra emissora. Esse poder de influência comprova a importância do canal — e, ao mesmo tempo, deixa o elenco superexposto a hostilidades ideológicas.

Vale um contraponto: a Globo aberta tem sido menos criticada do que antes por sua linha editorial, e a ausência de interrupções violentas nas transmissões ao vivo é um sinal disso. O ódio não é uma reação automática à Globo — ele migra para onde o debate político acontece em tempo real. Em 2018, era a bancada do JN. Em 2026, é a grade contínua de análises e entrevistas.

A melhor resposta, argumentam especialistas em jornalismo, não é se curvar à internet polarizada, mas oferecer cobertura isenta e defensável, sempre com espaço ao contraditório. A pergunta incômoda permanece: se o público passou a atacar exatamente o canal que mais consome para se informar, o problema é do veículo — ou do espelho que ele reflete?

Leia mais: Flávio Bolsonaro confirma ida ao debate da Globo e desafia Lula

Leia mais: GloboNews 30 anos: a história do 1º canal 24h de notícias

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Por Portal Bonner — redação independente.