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GloboNews 30 anos: o canal que inventou o plantão 24 horas

Lançada em 15 de outubro de 1996, a GloboNews foi o primeiro canal brasileiro de notícias 24 horas no ar e transformou a cobertura ao vivo em marca.

Quando a GloboNews entrou no ar, às 21h de 15 de outubro de 1996, a televisão brasileira ainda tratava notícia como um intervalo entre a novela e o futebol. Não existia, no país, um canal dedicado a informar 24 horas por dia. A estreia do primeiro telejornal, o "Em Cima da Hora", apresentado por Eduardo Grillo e Renata Vasconcellos, inaugurou uma lógica que hoje parece natural: a de que o telespectador pode ligar a TV a qualquer momento e encontrar o mundo acontecendo ao vivo.

Uma encomenda ousada de 1996

A criação do canal foi uma encomenda feita a Evandro Carlos de Andrade, então diretor de Jornalismo da Globo, pelo acionista Roberto Irineu Marinho. O projeto passou pelas mãos de Carlos Henrique Schroder antes de ser implantado por Alice-Maria Reiniger, que montou do zero uma grade inteira de telejornais ao vivo.

Alice-Maria teve o apoio de três jornalistas experientes: Leticia Muhana na direção-executiva, Vera Íris Paternostro na área de notícias e Mônica Labarthe nos programas. "Era como um museu-escola. Aquela turma que já sabia fazer com aquela garotada foi uma fórmula que deu certo", resumiu Mônica em depoimento ao Memória Globo.

A equipe passou um mês inteiro ensaiando uma GloboNews que só existia internamente, como se o canal já estivesse no ar. A ideia central era simples e ambiciosa: a cada hora cheia, um telejornal de 30 minutos. As edições ficaram conhecidas como "MH" — meia hora — e viraram o "Em Cima da Hora".

O acidente da TAM e a invenção da cobertura contínua

O canal tinha apenas 15 dias no ar quando o Fokker da TAM caiu. Maria Beltrão e Márcio Gomes passaram horas ancorando a cobertura ao vivo. Foi a primeira vez que a programação foi substituída por uma transmissão contínua — gesto que se tornaria a marca registrada da GloboNews.

Maria Beltrão viveu a situação no limite: descobriu durante o plantão que um parente estava entre as vítimas e precisou sair do estúdio. A cena ilustra o que o canal estava inventando — não apenas um formato, mas uma relação de presença ininterrupta com o espectador nos momentos mais graves.

Da bancada ao telefone: a descoberta do dinamismo

Nos primeiros anos, o canal repetia matérias da TV Globo com uma cara diferente. A transformação veio quando os editores começaram a localizar jornalistas por telefone para relatar o que acontecia no Brasil e no mundo.

"Isso dava um dinamismo de rádio à televisão", lembrou Vera Íris Paternostro. Foi assim que a GloboNews construiu sua força na cobertura internacional contínua e revelou nomes que depois ocupariam o horário nobre — Christiane Pelajo, Márcio Gomes, Maria Beltrão, Sérgio Aguiar.

Do analógico ao streaming: três décadas de reinvenção

Em março de 2000, a grade passou a ser acessada pelo computador. Em 2001, nasceu o GloboNews.com, reunindo conteúdo de O Globo, Extra e do Sistema Globo de Rádio. Em 2002, uma parceria com a Sky tornou o canal o primeiro do Brasil a oferecer interatividade 24 horas seguidas.

A partir de 2010, o "Em Cima da Hora" virou "Jornal GloboNews". Em 2021, o "Edição das 10h" foi rebatizado de "Conexão GloboNews", com três estúdios simultâneos em Brasília, São Paulo e Rio. Hoje, o canal se integra ao Globoplay com canais ao vivo.

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O legado do plantão

Três décadas depois, a pergunta que a GloboNews respondeu em 1996 continua sendo o coração da TV: o que o público quer ver quando algo grande acontece? A resposta — ver ao vivo, sem corte, com contexto — envelheceu bem. Tão bem que, em 2026, é justamente o jornalismo ao vivo que sustenta os maiores números da televisão brasileira.

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Por Portal Bonner — redação independente.