Jovens estão trocando a Globo pela CazéTV na Copa?
Globo mantém hegemonia na audiência total, mas perde público jovem para o streaming — e a Copa de 2026 escancarou uma divisão geracional irreversível.
A Copa do Mundo de 2026 está produzindo um fenômeno curioso: nunca tantas pessoas assistiram a uma Copa no Brasil — e, paradoxalmente, a TV Globo nunca teve audiências tão baixas em jogos da Seleção. A explicação para esse paradoxo tem nome e idade: chama-se Geração Z, e sua relação com a televisão aberta é profundamente diferente da das gerações anteriores.
O dado que revela a divisão
Segundo levantamento divulgado pelo Ibope e repercutido por veículos como UOL e Máquina do Esporte, a Globo alcançou mais de 133 milhões de pessoas nos primeiros 23 dias de Copa quando somados TV aberta e plataformas digitais. O número é recorde. Mas o recorte por faixa etária conta outra história.
Entre os telespectadores de 18 a 34 anos, a audiência da TV aberta caiu mais de 30% em relação à Copa de 2022. O destino desse público? CazéTV, YouTube, TikTok e streams ao vivo no Globoplay. A CazéTV, em particular, virou fenômeno: em jogos da Seleção, chegou a registrar picos de 5 milhões de dispositivos simultâneos, a maioria composta por jovens entre 18 e 34 anos.
O paradoxo em números
Veja o contraste: a Copa de 2026 é a que tem maior audiência total (somando todas as plataformas) desde que o Ibope começou a medir o consumo multiplataforma. Ao mesmo tempo, a audiência linear da Globo em jogos do Brasil foi a menor da história, conforme noticiou o colunista Gabriel Vaquer, do UOL, após a eliminação contra a Noruega.
Isso significa que a Globo está perdendo relevância? Não exatamente. Significa que o modelo de negócios está mudando. A emissora carioca entendeu isso e apostou pesado no Globoplay e nas redes sociais — o que explica por que seu alcance total continua crescendo. Mas a monetização da audiência digital ainda é muito inferior à da TV aberta, e essa equação econômica está longe de ser resolvida.
O que a Copa de 2026 ensina
Três lições emergem dos dados dessa Copa:
- A TV aberta virou TV de nicho dos 35+: a Globo continua imbatível entre o público acima de 35 anos, mas perdeu a hegemonia entre os jovens — que agora consomem futebol em múltiplas telas simultaneamente
- O live streaming é o novo "aquecimento": a CazéTV criou um hábito que a Globo não conseguiu replicar — o pré-jogo e o pós-jogo em tempo real com linguagem descontraída que atrai o público jovem
- O SBT foi o mais prejudicado: nem com a volta de Galvão Bueno a emissora de Silvio Santos conseguiu capturar o público jovem — sua audiência na Copa ficou concentrada no público 50+, e mesmo assim abaixo das expectativas
O futuro é híbrido
A grande pergunta que a Copa de 2026 deixa para o mercado é: a TV aberta conseguirá manter-se relevante para as próximas gerações? A resposta parece ser sim, mas com um papel diferente. A Globo não será mais a única janela para grandes eventos — será a principal entre várias. E isso exige uma reengenharia completa de modelo de negócios, de métricas e, principalmente, de linguagem.
Para quem quer entender os mecanismos de comunicação que explicam por que uma plataforma atrai e outra repele determinados públicos, o livro "Supercomunicadores" de Charles Duhigg é uma leitura que dialoga diretamente com esse fenômeno. Afinal, comunicar-se com a Geração Z não é questão de volume — é questão de código.
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Por Portal Bonner — redação independente.