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Morre Sônia Carneiro, a repórter que assombrava os poderosos

A jornalista Sônia Carneiro morreu aos 74 anos em Brasília, no domingo (20). Conhecida como Soninha, cobriu o Palácio do Planalto por 32 anos.

A jornalista Sônia Carneiro morreu neste domingo (20), aos 74 anos, em sua residência em Brasília, após uma trajetória que atravessou mais de cinco décadas de jornalismo político brasileiro. A informação foi confirmada por veículos como g1, Jornal do Brasil, Correio Braziliense e Metrópoles.

Conhecida como Soninha, ela foi a mais longeva e reconhecida repórter política do radiojornalismo brasileiro. Passou 32 anos nas equipes da Rádio Jornal do Brasil e do Jornal do Brasil, cobrindo o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.

Uma carreira que começou em 1971

Sônia iniciou a carreira em 1971, em pleno regime militar, e se tornou pioneira entre as mulheres na cobertura dos centros de poder em Brasília — a versão que o Sindicato dos Jornalistas do DF destacou em nota de pesar.

Nas décadas seguintes, cobriu momentos decisivos da política nacional: a transição para a democracia, o processo que culminou na eleição de 1985 e o impeachment de Fernando Collor, em 1992.

Em anos recentes, atuou como assessora do senador Jaques Wagner (PT-BA), função que também foi citada nos obituários publicados nesta segunda-feira (21).

Repercussão: homenagens de todo o espectro político

A morte provocou manifestações de figuras de campos opostos, o que dá a medida do respeito profissional conquistado por Soninha.

  • Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, homenageou o "pioneirismo de Sônia Carneiro em momentos decisivos históricos do Congresso";
  • Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, lamentou a morte e destacou a defesa da liberdade de imprensa na trajetória dela;
  • O Sindicato dos Jornalistas do DF citou seu legado como presença pioneira entre mulheres nos centros de poder.

O gravador que assombrava os poderosos

Em coluna publicada nesta segunda pelo Metrópoles, o jornalista Ricardo Noblat lembrou episódios que definiram o estilo dela. "Muitos, ao vê-la carregando seu pesado gravador, simplesmente fugiam", escreveu.

Um dos casos citados: durante uma entrevista coletiva, Soninha perguntou de chofre ao general Rubem Ludwig, chefe do Gabinete Militar da Presidência entre 1982 e 1985, se era verdade que tropas da Vila Militar estavam descendo sobre o Rio de Janeiro. A pergunta tinha cabimento: havia clima de tensão entre militares resistentes à redemocratização.

Em outra ocasião, ao entrevistar Fernando Collor ao vivo, notou o presidente visivelmente magro e perguntou sem titubear se ele estava com AIDS. Collor empalideceu e disse que não.

As informações sobre velório e sepultamento ainda não haviam sido divulgadas pela família até a publicação desta matéria.

Leia mais: A repórter que pergunta: a tradição do radiojornalismo ao JN

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Por Portal Bonner — redação independente.