O limite do âncora-curinga: o 4º lugar do SBT Cidades em SP
A contratação de Rodrigo Bocardi agitou a audiência, mas não mudou a estrutura do SBT: em uma semana, o telejornal já caiu para quarto lugar.
Há uma leitura simples para a queda do SBT Cidades ao quarto lugar em São Paulo, uma semana após a estreia: o encanto passou. Há também uma leitura mais incômoda, e mais útil: contratar um âncora-curinga não conserta, por si só, um projeto de jornalismo. A trajetória de Rodrigo Bocardi no SBT em sete dias é o melhor laboratório recente para entender o limite do modelo de "salvador da pátria" na TV aberta.
A tese
O argumento central é que a audiência do telejornal vespertino não se sustenta em um nome, mas na soma de estrutura, identidade e consistência. Quando um apresentador famoso chega a uma emissora em reformulação, ele produz um pico inicial de curiosidade — que se esgota conforme o público volta a avaliar o conteúdo e a grade como um todo.
As evidências
- Na estreia (3/8), o SBT Cidades venceu o Brasil Urgente e o Jornal da Band, com vantagem de cerca de 14%.
- No dia seguinte, Joel Datena reagiu e a Band retomou o fôlego no horário.
- Em uma semana, o SBT caiu para o 4º lugar em SP, atrás de Globo, Record e Band.
O contraponto
Defensores da aposta argumentam que "não se mede um projeto de jornalismo em uma semana" e que Bocardi reavivou, ao menos, a percepção pública sobre o telejornalismo do SBT. Há mérito nisso: a contratação devolveu protagonismo e pauta à emissora, algo que faltava havia anos. A questão é se esse capital se converte em audiência estável.
A conclusão
O caso do SBT Cidades condensa a reconfiguração da TV aberta: em um mercado fragmentado, o telespectador se fideliza a um projeto editorial, não a um rosto. Se o SBT tratar Bocardi como peça de um quebra-cabeça maior, a aposta pode dar certo; se tratá-lo como resposta definitiva, o 4º lugar será só o começo da frustração.
Leia mais: SBT Cidades é superado pela Band e cai para 4º lugar em SP
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Por Portal Bonner — redação independente.