Gracindo Júnior e a geração que inaugurou a Globo
Morto aos 83 anos, Gracindo Júnior esteve no ar na estreia da TV Globo em 1965. A trajetória de um nome que ajudou a fundar a emissora.
Um nome presente no primeiro dia da emissora
Quando a TV Globo entrou no ar em 26 de abril de 1965, no Rio de Janeiro, havia entre os nomes escalados para a estreia um jovem ator de 21 anos que viria a se tornar um dos rostos mais longevos da dramaturgia brasileira. Gracindo Júnior, herdeiro de uma tradição de palco, participou daquele momento fundador da televisão do país.
Nascido Epaminondas Xavier Gracindo em 21 de maio de 1943, no Rio, ele era filho do ator Paulo Gracindo, nome central do rádio e do teatro nacional. Crescer nos bastidores da cena brasileira preparou o caminho para uma carreira que atravessaria mais de seis décadas, do palco à direção de televisão.
Do teatro à direção de novelas e humorísticos
Antes da TV, Gracindo Júnior construiu uma sólida trajetória no teatro. Estreou profissionalmente em 1962, na montagem original de A Escada, de Jorge Andrade, e atuou em clássicos como A Megera Domada, de Shakespeare, e O Burguês Fidalgo, de Molière.
Foi também autor, produtor e roteirista, sempre ligado a textos de autores brasileiros contemporâneos como Oduvaldo Vianna Filho, do qual dirigiu e atuou em várias montagens. Nos anos 1980, dedicou-se com mais força à televisão, período em que assumiu a direção de um dos maiores fenômenos de audiência da história da TV: o humorístico Os Trapalhões, entre 1983 e 1984.
Uma dinastia de atores
Gracindo Júnior pertencia a uma verdadeira dinastia de intérpretes. Atuou ao lado do pai, Paulo Gracindo, em novelas, e formou os filhos Gabriel Gracindo e Pedro Gracindo, além da atriz Daniela Duarte, todos seguiram o ofício da família. Nos anos 1990 e 2000, emendou trabalhos em emissoras concorrentes, como a minissérie Rei Davi e Plano Alto, na Record.
O legado de quem testemunhou a fundação
A importância de Gracindo Júnior vai além da filmografia. Ele integra a geração que viu a TV Globo nascer e que ajudou a construir o modelo de dramaturgia e entretenimento que marcou o país por décadas. Sua morte, aos 83 anos, no dia 1º de setembro de 2026, apaga mais um elo vivo com 1965.
Quando uma emissora atravessa 60 anos de história, cada profissional que esteve na estreia guarda consigo uma parcela irrecuperável da memória da televisão brasileira.
Com a doença de Alzheimer desde 2020, Gracindo passou os últimos anos afastado dos holofotes. Mas o registro de sua trajetória permanece como ponta de memória de uma época em que a TV se construía ao vivo, sem rede social, sem replay — apenas com o talento de quem estava ali no primeiro dia.
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Por Portal Bonner — redação independente.