A sabatina que virou evento de massa na TV brasileira
Do embate de 2022 aos 26 pontos de Lula em 2026, a sabatina presidencial passou de rito da bancada a fenômeno de audiência nacional na TV brasileira.
Do rito da bancada ao fenômeno de milhões
Há quatro anos, quando Lula e Jair Bolsonaro sentaram na bancada do Jornal Nacional em dias seguidos de agosto de 2022, o telejornal registrou picos históricos de audiência. Naquele ciclo, a entrevista virou evento de massa. Em 2026, o fenômeno se repetiu com força: a sabatina de Lula, mediada por César Tralli, bateria 26 pontos de ibope e superaria até a novela das nove — algo que pouca gente imaginava para um formato nascido como mero rito de campanha.
A trajetória da entrevista presidencial na TV brasileira é longa. Ela começa no rádio, ganha os debates a partir de 1989, com o confronto Collor x Lula, e se consolida na bancada do JN como um dos momentos mais esperados de cada eleição. Mas foi nos últimos ciclos que a sabatina deixou de ser coadjuvante para virar protagonista da programação.
De rito de campanha a produto de massa
O que mudou? Na era da atenção fragmentada, quando o streaming e as redes disputam cada telespectador, um único palco nacional capaz de reunir o país virou mercadoria rara. A sabatina do JN concentra essa força: é ao vivo, no horário nobre, com um candidato sozinho respondendo a perguntas duras.
O debate esvaziado da Band, com púlpitos vazios em 23 de agosto, marcou apenas 2 pontos. Dias depois, a sabatina de Lula no JN triplicou esse resultado e ainda superou a novela.
Os números do ciclo de 2026 contam essa história melhor que qualquer análise. A sabatina de Renan Santos, candidato marginal, teve o pior ibope do ciclo. A de Zema e Caiado cresceu. Mas foi Lula, o favorito, quem atingiu o recorde: 26 pontos, a entrevista mais assistida da temporada.
O que isso revela sobre a TV brasileira
Para a história do telejornalismo, o dado é revelador. A bancada do JN segue sendo o único palco nacional capaz de converter política em audiência de massa. Nem o cinema, nem a novela, nem o streaming alcançam, naquele horário, o mesmo poder de convocação de uma entrevista presidencial.
É um patrimônio construído ao longo de décadas — da isonomia dos anos 1980 à sabatina individual de hoje — e que o público reconhece ao sintonizar em massa quando o assunto é o futuro do país.
Leia mais: Lula e o Jornal Nacional: três décadas de sabatinas
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Por Portal Bonner — redação independente.