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Queda de 32% na copa: o que o número revela sobre o futuro da tv

A redução de 32% no alcance médio entre 2022 e 2026 é o sintoma de uma transformação na TV que a guerra por direitos de 2030 só escancara.

O dado que a Globo não escondeu

No comunicado que a Globo enviou à imprensa em 21 de julho de 2026, havia números para todos os gostos: 142,7 milhões de pessoas alcançadas, 53,6 milhões no jogo Escócia x Brasil, 87% do público da TV aberta. Mas havia também um dado que a emissora não podia maquiar: o alcance médio caiu de 32,1 milhões (2022) para 22 milhões (2026) — uma redução de 32%.

Não é pouca coisa. Em duas Copas — um intervalo de apenas quatro anos — a Globo perdeu um terço de sua audiência média. E a pergunta que fica é: isso é um problema da Globo ou um sintoma de algo maior?

O paradoxo da Copa mais assistida da história

Aqui está a contradição: nunca tantas pessoas assistiram à Copa no Brasil. Somando TV aberta, TV paga e streaming, o público total foi maior que em qualquer edição anterior. A CazéTV bateu recordes sucessivos — 20 milhões, 24 milhões de dispositivos simultâneos. O SBT registrou seus melhores números em anos. A audiência total cresceu.

O que caiu foi a fatia da TV aberta. A Globo, sozinha, ainda domina: 87% do público da TV aberta é dela. Mas o bolo total da TV aberta está encolhendo. E quando a fatia de um jogador dominante encolhe junto com o bolo, o problema é estrutural.

Três forças que explicam a queda

1. Fragmentação das plataformas. Em 2022, o brasileiro tinha basicamente duas opções para ver a Copa: TV Globo (aberta) ou SporTV (fechada). Em 2026, eram pelo menos seis: Globo, SBT, CazéTV, Record, Amazon Prime Video e Disney Plus. Cada plataforma divide a audiência.

2. Mudança de hábito do espectador. O público jovem (18 a 34 anos) migrou para o streaming. A Globo ainda retém 84% mais jovens que a CazéTV — mas isso porque a CazéTV parte de uma base menor. O movimento de longo prazo é de migração, não de fidelização.

3. A medição do Ibope não captura o novo espectador. O instituto mede audiência nas 15 maiores regiões metropolitanas, por amostragem em aparelhos de TV. Não contabiliza dispositivos móveis, tablets ou computadores. É um método que subestima sistematicamente o consumo digital.

Guerra por 2030: o reflexo da crise

A disputa acirrada pelos direitos de 2030 — com SBT consultando a Fifa, CazéTV negociando renovação e a própria Fifa avaliando o fim da exclusividade — é a prova de que todos os players enxergam o mesmo movimento. A TV aberta está perdendo relevância, mas ninguém quer ficar de fora do que ainda resta.

O SBT, que há décadas não investia pesado em esporte, viu na Copa de 2026 uma oportunidade de reposicionamento. A CazéTV, que começou como uma aposta em Copas anteriores, provou que o YouTube pode rivalizar com a TV aberta em eventos ao vivo. E a Globo, que por 55 anos não teve concorrência, agora precisa negociar cada jogo como se fosse o último.

O que esperar

A tendência é de aceleração da fragmentação. Em 2030, com três países-sede (Argentina, Uruguai e Paraguai) e possivelmente com o Brasil também como sede, o fuso horário amigável e o interesse gigantesco devem gerar a maior audiência da história em números absolutos. Mas a fatia da TV aberta pode cair ainda mais.

A pergunta que fica para o mercado é: a TV aberta vai virar um player nichado de eventos esportivos, ou a Copa de 2026 foi o ponto de inflexão para um novo equilíbrio? A resposta virá nas negociações de 2030.

Leia mais: Direitos de transmissão da copa: 55 anos de história na tv

Leia mais: SBT consulta Fifa para comprar jogos da copa de 2030

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Por Portal Bonner — redação independente.