Direitos de transmissão da copa: 55 anos de história na tv
Da exclusividade da Globo em 1970 à disputa a três por 2030, a trajetória dos direitos de transmissão da Copa do Mundo reflete a transformação da TV brasileira.
A era da exclusividade: 1970 a 2022
Durante mais de cinco décadas, a TV Globo foi a única casa da Copa do Mundo no Brasil. A primeira transmissão aconteceu em 1970, quando o Brasil conquistou o tricampeonato no México. De lá para cá, foram 14 edições consecutivas com exclusividade total — um recorde que poucas emissoras no mundo podem ostentar.
A relação entre a Globo e a Fifa começou em 1969, quando a emissora carioca comprou os direitos de 1970 por valores que hoje pareceriam irrisórios. Na época, a televisão brasileira ainda engatinhava, e a Copa do México foi a primeira a ser transmitida ao vivo por satélite para o país.
A quebra do monopólio em 2026
Em 2026, o cenário mudou radicalmente. Pela primeira vez na história, a Globo não transmitiu uma semifinal de Copa — o jogo Argentina x Inglaterra ficou com a CazéTV, que alcançou 20,1 milhões de dispositivos conectados. A SBT também entrou na disputa, exibindo parte dos jogos e registrando audiências expressivas.
A Copa de 2026 foi a mais fragmentada da história: Globo, SBT, CazéTV, Record, Amazon e Disney Plus dividiram as transmissões. Pela primeira vez, o brasileiro precisou de múltiplas plataformas para acompanhar todos os jogos da seleção.
Os números que contam a história
A Globo divulgou em julho de 2026 um balanço completo de sua cobertura: 142,7 milhões de pessoas alcançadas em suas três plataformas (TV Globo, SporTV e GE TV), 58% a mais que a CazéTV e 75% acima do SBT. O jogo Escócia x Brasil liderou com 53,6 milhões de expectadores, seguido de Brasil x Haiti (48,8 milhões) e Brasil x Japão (48,7 milhões).
No entanto, o dado mais revelador veio na comparação histórica: o alcance médio caiu de 32,1 milhões (2022) para 22 milhões (2026), uma redução de 32%. Pela primeira vez, a Globo precisou justificar sua relevância com argumentos de mercado.
O futuro: 2030 e a guerra aberta
Menos de 48 horas após o apito final da final entre Espanha e Argentina, a disputa pelos direitos de 2030 já estava a todo vapor. O SBT consultou a Fifa para comprar jogos do Mundial. A CazéTV negocia a continuidade de sua cobertura histórica. A Fifa avalia o fim da exclusividade, abrindo caminho para um modelo sem dono único.
Para a Globo, os números de 2026 são sua principal moeda de negociação: 87% do público da TV aberta, 33,5 milhões de brasileiros que assistiram à Copa exclusivamente na emissora, e 8,6 milhões de jovens (18 a 34 anos) que só viram o torneio pela Globo — 84% a mais que a CazéTV no mesmo recorte.
Legado de uma transformação
Em 55 anos, a transmissão da Copa no Brasil passou de um monopólio natural — quando só existia TV aberta — para um ecossistema multiplataforma onde o espectador decide onde, quando e como assistir. A Globo ainda é o player dominante, mas já não é o único. E essa fragmentação, que começou em 2026, promete redefinir o futebol na televisão brasileira para as próximas gerações.
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Por Portal Bonner — redação independente.