A Band e a tradição do primeiro debate presidencial na TV
A Band sediará o primeiro debate presidencial de 2026 em 23 de agosto. Uma trajetória que remonta ao lendário confronto Collor x Lula em 1989.
Quando a Band anunciou, na última semana, que sediará o primeiro debate presidencial de 2026 no dia 23 de agosto, o jornalismo brasileiro reconheceu um velho conhecido. Poucas emissoras carregam uma relação tão longa com o rito democrático do confronto entre candidatos quanto a rede que hoje pertence ao Grupo Bandeirantes.
O palco que o país esqueceu
A história dos debates na TV brasileira começa antes da redemocratização plena, mas é na eleição de 1989 — a primeira direta para presidente em 29 anos — que o gênero ganha status de evento nacional. Nela, a Bandeirantes cumpriu um papel central: transmitiu os confrontos que sedimentaram a cultura do debate ao vivo no país.
O confronto Collor x Lula
O embate mais lembrado daquele ano, entre Fernando Collor e Lula, foi transmitido em cadeia no segundo turno e virou marco da memória televisiva. Mesmo com câmeras e formatos primitivos se comparados aos de hoje, a transmissão provou que o cara a cara entre presidenciáveis podia mobilizar a atenção nacional de forma única.
A casa dos debates
Nas décadas seguintes, a Band seguiu como uma das anfitriãs recorrentes dos embates eleitorais. Em 2014 e 2018, sediou confrontos entre os principais candidatos à Presidência, consolidando a reputação de "casa dos debates". O apelido não é exagero: em eleições de alta polarização, a emissora construiu a imagem de cenário neutro e democrático.
A ausência que virou notícia
Em 2018, a não participação de Jair Bolsonaro em boa parte dos debates virou, por si só, uma pauta quente — e voltou a acontecer em 2022, quando o então presidente evitou o confronto direto. O padrão se repetiu nas eleições estaduais de agosto de 2026: o primeiro debate presidencial foi confirmado sem a presença confirmada de Lula e Flávio Bolsonaro.
2026: o retorno do rito
Agora, com o Estadão se unindo à Band na cobertura do dia 23 de agosto, a emissora reedita seu papel histórico. O debate volta ao horário nobre e à lógica do evento ao vivo — com uma diferença estrutural: num cenário de audiência fragmentada, o confronto presidencial disputa atenção com o streaming e as redes sociais como nunca antes.
Se a Band foi, em 1989, a casa que consagrou o debate ao vivo, em 2026 ela enfrenta o desafio de reinventá-lo para um país que já não assiste à TV do mesmo jeito.
A tradição, porém, segue viva. Como em 1989, um formato simples — perguntas, respostas e confronto — ainda guarda a capacidade de pautar o país inteiro por uma noite.
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Por Portal Bonner — redação independente.