Bonner admite estranhar o ritmo do Globo Repórter
Bonner revela que adaptação ao Globo Repórter após 27 anos no JN foi mais desafiadora que esperava, especialmente no ritmo de produção e reportagem externa.
A dura transição do estúdio para a estrada
William Bonner surpreendeu ao admitir, em entrevista recente, que estranhou o ritmo do Globo Repórter nos primeiros meses à frente do programa. Após 27 anos na bancada do Jornal Nacional, o jornalista passou a enfrentar uma realidade completamente diferente: reportagens externas, viagens internacionais e prazos de produção mais longos.
"No JN, tudo é para ontem. No Globo Repórter, tudo é para daqui a duas semanas", resumiu Bonner, descrevendo o choque cultural entre a urgência do telejornal diário e o ritmo mais planejado do programa documental. A declaração foi dada a colegas de emissora e repercutiu nos bastidores da Globo.
Recordes que contradizem a estranheza
Se a adaptação foi difícil, o público não percebeu. Desde que Bonner assumiu o comando ao lado de Sandra Annenberg, o Globo Repórter atingiu três recordes consecutivos de audiência, segundo dados do ibope. O último deles, registrado em julho de 2026, consolidou o programa como uma das maiores audiências da Globo no horário nobre.
A ironia não passou despercebida: o mesmo jornalista que passou 27 anos sentado atrás de uma bancada quebrando recordes no JN agora quebra recordes viajando o mundo para o Globo Repórter. Em junho, Bonner esteve em Marrocos, Portugal e Espanha para gravar a série sobre as sedes da Copa de 2030 — sua primeira reportagem internacional como apresentador.
O desafio de ser repórter depois dos 60
Aos 62 anos, Bonner não esconde que a logística das gravações externas foi o maior ajuste. "Você sai do aeroporto direto pro set, grava o dia inteiro sob sol, volta pro hotel pra revisar texto. Não tem maquiagem, não tem ponto eletrônico. É mais perto do que a gente chama de jornalismo de verdade", disse.
A honestidade do âncora ao falar sobre o processo de adaptação gerou identificação com o público e elogios de colegas de profissão. Para muitos, a fala de Bonner humaniza uma figura que durante décadas foi associada à frieza e à precisão milimétrica da bancada do JN.
A nova rotina que deu certo
Apesar dos desafios, Bonner afirma estar realizado. O Globo Repórter lhe permitiu explorar uma faceta que o JN nunca ofereceu: a de repórter investigativo. A série internacional sobre os países-sede da Copa de 2030 foi descrita por ele como "o trabalho mais gratificante da carreira".
A Globo, por sua vez, já planeja novas expedições. A emissora aposta na dupla Bonner e Annenberg para manter o fôlego do programa e preparar o terreno para a cobertura da Copa de 2030, que promete ser a mais multiplataforma da história da TV brasileira.
Leia mais: Sandra Annenberg e Bonner: a nova era do Globo Repórter
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Por Portal Bonner — redação independente.