Galvão Bueno: a despedida da voz que marcou gerações
Aos 75 anos, Galvão narra sua última final de Copa no SBT, encerrando 52 anos como a voz mais emblemática do futebol brasileiro
O fim de uma jornada histórica
No próximo domingo, 19 de julho de 2026, Galvão Bueno estará diante dos microfones do SBT para narrar a final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina. Será a última vez que o Brasil ouvirá aquela voz inconfundível narrando uma decisão de Copa. Aos 75 anos, após 14 edições de Mundial e mais de meio século de carreira, Galvão encerra um capítulo que começou em 1974, quando estreou como narrador na Rádio Nacional.
Da Rádio Nacional ao Guinness Book
Em 1974, na Copa da Alemanha, um jovem Galvão Bueno estreava nos microfones. Mal sabia ele que se tornaria o narrador com mais jogos de Copa na história — 148 partidas, um recorde registrado no Guinness World Records. Sua trajetória passou pela Rádio Bandeirantes, mas foi na Globo, onde ficou por 45 anos (1978 a 2023), que ele se transformou no narrador mais amado e odiado do país.
O estilo que virou marca registrada
"Eu quero ver você vibrar, Brasil!" — a frase, repetida em Copas vitoriosas e em eliminações amargas, sintetiza o estilo de Galvão: emocionado, teatral, quase ufanista. Críticos apontavam exagero; fãs, paixão genuína. O fato é que ninguém, antes ou depois, ocupou o mesmo espaço na relação entre o brasileiro e a Copa do Mundo.
A saída da Globo e a nova casa no SBT
Em 2024, após negociações que surpreenderam o mercado, Galvão trocou a Globo pelo SBT. Muitos viram como um erro — o narrador associado à Vênus Platinada agora estaria numa emissora de menor estrutura esportiva. Mas a Copa de 2026 provou o contrário: com uma equipe enxuta e liberdade criativa, Galvão deu sua melhor versão em anos, desde a estreia do Brasil até esta final histórica.
A homenagem que marca a despedida
Nesta sexta-feira, 18 de julho, o UOL revelou que o SBT prepara uma homenagem especial para Galvão em seu último jogo de Copa. A emissora de Silvio Santos planeja uma celebração que incluirá vídeos de arquivo, depoimentos de personalidades e uma menção especial durante a transmissão da final. Aos 75 anos, Galvão já afirmou que "a idade não vai permitir" outra Copa.
O encontro com Casimiro e a passagem de bastão
Na semifinal entre Argentina e Inglaterra, Galvão encontrou Casimiro Miguel, fundador da CazéTV, em Nova Jersey. O abraço entre os dois viralizou com mais de 3 milhões de visualizações e foi lido por analistas como o símbolo da passagem de bastão entre duas gerações. Se Galvão representa a era da TV aberta hegemônica, Casimiro personifica o futuro: o YouTube como nova arena do futebol ao vivo.
Legado
Galvão Bueno não foi apenas um narrador. Ele foi a banda sonora de gerações — presente nos gols de Romário em 94, no penta de 2002, no 7 a 1 de 2014, no hexa que não veio em 2026. Sua voz, por mais que críticos discordassem, era o que unia milhões de brasileiros diante da TV a cada quatro anos. A Copa de 2026 encerra não apenas um torneio, mas 52 anos de história.
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Por Portal Bonner — redação independente.