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O custo de perder a Copa: demissões na Globo e o futuro da tv

Demissões em massa em afiliadas, perda inédita de semifinal e recorde da CazéTV — três sintomas de um mesmo problema estrutural na TV brasileira

Em apenas uma semana, a Globo viveu três fatos que, vistos isoladamente, parecem coincidência. Juntos, contam uma história sobre o futuro da televisão brasileira. A emissora demitiu jornalistas históricos em Minas Gerais e São Paulo, perdeu pela primeira vez em 56 anos o direito de transmitir uma semifinal de Copa do Mundo, e viu a CazéTV bater recorde no YouTube com a partida que ficou de fora.

Não é coincidência. É um sintoma estrutural.

O negócio da TV aberta está sob pressão

As demissões que atingiram a Globo em Minas Gerais — incluindo profissionais com mais de 17 anos de casa — e a saída de repórteres como Graciela Andrade (após 20 anos) e Sergio Arenillas (após 11 anos) são reflexo de um movimento que começou nos Estados Unidos e já chega ao Brasil: a redução de custos na TV linear.

O modelo de negócio que sustentou a TV aberta por décadas — anunciantes pagando caro por audiência massiva — está sendo corroído por dois lados. De um, a migração do público jovem para plataformas digitais como YouTube, TikTok e streaming. De outro, a fragmentação das audiências esportivas, que antes eram monopólio da Globo e hoje são disputadas por SBT, Record, CazéTV e Amazon.

A semi que mudou a régua

A perda da semifinal França x Espanha para a CazéTV não é apenas um fato esportivo. É a demonstração prática de que a exclusividade está com os dias contados. A CazéTV não só transmitiu o jogo como superou o próprio recorde do YouTube, provando que o digital já entrega escala comparável à TV aberta — pelo menos em eventos de grande apelo.

Para a Globo, o problema é que o custo de produzir conteúdo de qualidade (repórteres experientes, estrutura de afiliadas, estúdios) continua o mesmo, enquanto a receita publicitária se dilui entre mais concorrentes. A equação não fecha.

O dilema das afiliadas

Um capítulo à parte é o impacto nas afiliadas regionais. Em janeiro de 2026, uma afiliada da Globo em São Paulo e Minas Gerais demitiu 50 funcionários e encerrou programas regionais. Este mês, novos cortes foram anunciados. As afiliadas, que sempre foram a espinha dorsal da Globo no interior do Brasil, estão encolhendo.

Isso tem consequência direta na qualidade do jornalismo regional — e, por tabela, na capacidade da Globo de manter sua capilaridade, um dos seus maiores diferenciais competitivos frente a concorrentes digitais que não têm estrutura local.

O que esperar

A tendência é que o movimento se acelere nos próximos meses. A Globo já anunciou que prepara mudanças no Jornal Nacional após as eleições de outubro. A GloboNews reformulou as manhãs após a saída de Leilane Neubarth. O Bom Dia Brasil também passou por alterações. É o ano das reformulações — e elas são, acima de tudo, uma resposta à crise de modelo.

A pergunta que fica é: até onde a Globo pode cortar sem comprometer a qualidade que a diferencia? Num mercado onde a CazéTV cresce sem os custos de uma estrutura tradicional, a resposta será definida nos próximos anos — e a semana de julho de 2026 pode ter sido o ponto de virada.

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Por Portal Bonner — redação independente.