César Tralli: a trajetória do sucessor de Bonner no JN
De correspondente aos 24 anos à bancada do Jornal Nacional, César Tralli fez reportagens investigativas e coberturas internacionais até suceder William Bonner.
Da rádio à bancada do JN
Em 29 de setembro de 2026, César Tralli terá diante de si uma responsabilidade que poucos jornalistas brasileiros já carregaram: mediar o debate presidencial da TV Globo, o primeiro desde que assumiu a bancada do Jornal Nacional em novembro de 2025, substituindo William Bonner após 29 anos ininterruptos.
Para entender o que levou Tralli ao centro da cobertura eleitoral da emissora, é preciso voltar ao início de uma trajetória que começou bem antes dos holofotes nacionais.
Os primeiros passos
Nascido em São Paulo em 23 de dezembro de 1970, César Augusto Tralli Júnior formou-se em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e fez mestrado em ciências sociais pela PUC-SP. Antes de completar 30 anos, já havia construído uma carreira que muitos levam décadas para alcançar.
Começou no jornal A Gazeta Esportiva, passou pela rádio Jovem Pan AM e estreou na televisão no SBT em 1991, como repórter do extinto Aqui Agora. Em 1993, foi contratado pela Rede Globo, onde permanece até hoje — mais de três décadas depois.
O correspondente mais jovem da Globo
Aos 24 anos, Tralli tornou-se o correspondente mais jovem da TV Globo em Londres, onde passou cinco anos (1995 a 2000). Nesse período, cobriu conflitos no Oriente Médio, o assassinato do primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin, os dez anos do acidente nuclear de Chernobyl, o terremoto na Turquia e a morte da princesa Diana. Essas experiências renderam o livro Olhar Crônico, lançado em 2001.
Cobriu também cinco Copas do Mundo (1998, 2002, 2006, 2010 e 2022) e duas Olimpíadas (Atenas 2004 e Pequim 2008), consolidando-se como um dos repórteres mais viajados da emissora.
Jornalismo investigativo e o caminho até a bancada
De volta ao Brasil no ano 2000, Tralli construiu uma sólida reputação como repórter investigativo. Ajudou a desvendar escândalos como o do juiz Nicolau dos Santos Neto, a Operação Satiagraha e a prisão de Paulo Maluf. Ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi finalista do Emmy Awards pela cobertura do sequestro e assassinato da estudante Eloá.
Em 2011, assumiu a bancada do SPTV 1ª Edição, substituindo Chico Pinheiro. Em 2016, estreou como apresentador eventual do Jornal Hoje. Em 2018, chegou ao JN como apresentador eventual. Em outubro de 2021, foi anunciado como âncora titular do Jornal Hoje, no lugar de Maju Coutinho.
A sucessão histórica
Em 1º de setembro de 2025, durante as comemorações dos 56 anos do Jornal Nacional, a Globo anunciou que William Bonner deixaria a bancada após 29 anos. Tralli foi o nome escolhido — uma decisão que, para quem acompanhava sua trajetória, parecia o desfecho natural de décadas de preparação.
Agora, além de âncora do JN, Tralli assume pela primeira vez o papel de mediador do debate presidencial no horário nobre da Globo, marcado para 1º de outubro — mais um capítulo em uma carreira que parece estar longe do ápice.
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Por Portal Bonner — redação independente.