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Conexão Marrocos: o Globo Repórter como ponte para 2030

A série especial que Bonner gravou em Marrocos, Espanha e Portugal mostra como o Globo Repórter se reinventa ao ligar jornalismo documental à Copa de 2030.

De Chapelin a Bonner: a trajetória de um clássico da TV

Desde 1973 no ar, o Globo Repórter é um dos programas mais longevos da televisão brasileira. Criado para ser um espaço de documentário e grande reportagem, o programa já foi comandado por nomes como Sérgio Chapelin, que o apresentou por décadas, até a chegada de William Bonner em fevereiro de 2026. Mas foi nos últimos meses que o programa viveu um capítulo à parte em sua história.

Em julho de 2026, o Globo Repórter estreou a série especial "Conexão Marrocos", produzida ao longo de viagens de Bonner e Sandra Annenberg pelos três países-sede da Copa do Mundo de 2030: Marrocos, Espanha e Portugal. A série, que mistura jornalismo, cultura, história e turismo, rapidamente se tornou um fenômeno de audiência — foram três recordes consecutivos de ibope, segundo o NaTelinha.

O formato que se reinventa há cinco décadas

O Globo Repórter nasceu em uma época em que a televisão brasileira descobria o poder do documentário. Inspirado em formatos internacionais como o 60 Minutes, o programa sempre teve liberdade editorial para mergulhar em temas que iam de ciência a comportamento, passando por natureza e cultura.

A grande virada veio quando o programa foi "promovido" para depois da novela das nove, um horário nobre que tradicionalmente pertence à teledramaturgia. A mudança, que poderia ter sido arriscada, se mostrou acertada: com a novela como lead-in, o Globo Repórter passou a receber uma audiência cativa que antes migrava para outros canais.

Conexão Marrocos: o programa como ponte cultural

A série especial "Conexão Marrocos" não é apenas sobre turismo. A edição de 24 de julho, intitulada "Conexão Marrocos II", explorou as ligações históricas entre o Marrocos e o Brasil, incluindo a influência da cultura árabe na arquitetura nordestina, a culinária compartilhada e até o sucesso da novela "O Clone" — que, segundo Bonner, é motivo de orgulho nacional entre os marroquinos.

A segunda reportagem da série também mergulhou em Portugal, mostrando como o país europeu se prepara para receber a Copa de 2030 ao lado de Espanha e Marrocos, e resgatou a história dos tesouros arqueológicos recentemente descobertos em reformas de casas portuguesas.

Sob o comando de Bonner, o Globo Repórter encontrou uma fórmula que parecia perdida: audiência, relevância e qualidade editorial andando juntas. O programa que Chapelin apresentou por 20 anos e que passou por diversas fases de renovação finalmente encontrou seu novo norte.

O legado de um formato que se recusa a morrer

Em meio à fragmentação da audiência e à crise do jornalismo tradicional, o Globo Repórter prova que o formato documental de longa duração ainda tem espaço na TV aberta. A série "Conexão Marrocos" não é apenas um acerto de programação — é a demonstração de que, quando a televisão investe em conteúdo de qualidade com ambição global, o público responde.

A Copa de 2030 ainda está a quatro anos de distância, mas o Globo Repórter já está pavimentando o caminho. Se depender da audiência dos últimos meses, o programa chegará lá com mais força do que nunca.

Leia mais: Sandra Annenberg e Bonner: a nova era do Globo Repórter

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Por Portal Bonner — redação independente.