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SBT, CazéTV e Globo: quem está ganhando a guerra da audiência na Copa?

Com recordes simultâneos em três plataformas e plano agressivo do SBT, a Copa de 2026 está reconfigurando a transmissão esportiva no Brasil.

O plano do SBT para incomodar a líder histórica

Na última segunda-feira, o colunista Gabriel Vaquer revelou no UOL que o SBT está "empolgado com a audiência" e montou um plano agressivo para roubar mais público da Globo durante a Copa do Mundo de 2026. A informação, publicada horas atrás, confirma o que analistas de mídia já observavam: a compra dos direitos de transmissão pelo SBT — a primeira vez no século que a Globo não é a única dona da Copa no Brasil — está redesenhando o mapa da TV brasileira.

Com Galvão Bueno na narração, o SBT já registrou seu melhor ibope do ano com a estreia do Brasil contra Marrocos: 8 pontos de média na Grande São Paulo. O número, que pode parecer modesto perto dos 31 pontos da Globo, representa um crescimento de mais de 30% na audiência da emissora de Silvio Santos em relação à média de 2025.

O fenômeno CazéTV: 12,7 milhões de motivos para preocupação

O dado mais disruptivo, no entanto, vem do digital. A CazéTV quebrou o recorde mundial do YouTube com 12,7 milhões de espectadores simultâneos no jogo Brasil x Marrocos. O número é particularmente impactante porque representa um público que, em Copas anteriores, estaria integralmente na TV aberta.

Para efeito de comparação: 12,7 milhões de espectadores simultâneos no YouTube equivalem a cerca de 28 pontos de Ibope em São Paulo se convertidos para o método tradicional de medição. Ou seja, a CazéTV sozinha já compete de igual para igual com a Globo no universo digital — e com uma vantagem estrutural: custo zero de produção (o sinal é da FIFA), interatividade em tempo real e alcance global.

Por que a Globo ainda lidera — e o que pode perder

A Globo ainda tem a seu favor o alcance bruto e a tradição. Com mais de 46 milhões de pessoas alcançadas no primeiro dia de Copa (dado divulgado pela própria emissora), a liderança em alcance total não está ameaçada no curto prazo. Mas o perfil do público que está migrando para o digital é preocupante para a emissora carioca: são majoritariamente jovens entre 18 e 34 anos, exatamente o grupo que a TV aberta mais tenta reter.

Outro fator estratégico: a CazéTV transmite 100% dos 104 jogos da Copa, sendo 49 com exclusividade. Isso significa que, mesmo nos dias sem jogos do Brasil, o público jovem está no ecossistema Casimiro — não na Globo. O acúmulo de audiência ao longo do torneio cria um hábito de consumo que pode sobreviver à Copa.

Três estratégias, um mesmo objetivo

O cenário atual expõe três estratégias claramente distintas. A Globo aposta na tradição e na escala: 25 patrocinadores, estrutura multiplataforma (TV + sportv + GE TV) e jornalistas consagrados. O SBT investe na nostalgia e na agressividade comercial: Galvão Bueno como estrela, programação complementar à da Globo e planos de expansão. A CazéTV, por sua vez, opera com a lógica do engajamento comunitário: transmissão gratuita, 4K, interação ao vivo e uma linguagem que fala diretamente com a geração que cresceu no YouTube.

A pergunta que fica para os analistas não é quem vai ganhar a Copa de 2026, mas sim o que sobra do mercado de TV aberta quando a Copa acabar. Se as três emissoras conseguem bater recordes simultaneamente, o crescimento é do bolo total. Mas se a tendência de migração digital se mantiver — e tudo indica que sim —, a próxima Copa pode ter um equilíbrio de forças muito diferente.

Leia mais: CazéTV quebra recorde mundial no YouTube com Brasil x Marrocos

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Por Portal Bonner — redação independente.