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Final da Copa 2026: Globo lidera, CazéTV cresce e a nova jogada

Maior ibope em jogo sem Brasil na Globo, 20,9 milhões na CazéTV e SBT consolidado: o que os números revelam sobre o futuro do futebol na TV

O legado dos números

A Copa do Mundo de 2026 terminou no último domingo (19) com a Espanha levantando o bicampeonato ao vencer a Argentina por 1 a 0 no MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA). Mas para o mercado de televisão brasileiro, a competição deixou um conjunto de dados que merece análise profunda: os números de audiência revelam um ecossistema midiático em plena transformação.

A final registrou números expressivos em todas as plataformas. A Globo alcançou seu maior ibope em um jogo sem o Brasil na história recente. O SBT se consolidou como segunda opção da TV aberta e se distanciou da Record. Já a CazéTV registrou pico de 20,9 milhões de aparelhos conectados simultaneamente — número expressivo, mas abaixo do recorde histórico de 24,2 milhões da semifinal França x Espanha.

O paradoxo da audiência partida

O grande achado desta Copa é o que poderíamos chamar de "paradoxo da audiência partida". Enquanto números absolutos sugerem fragmentação — Globo, SBT e CazéTV dividindo a mesma partida —, o total de espectadores nunca foi tão alto. A audiência combinada das três plataformas supera recordes históricos de Copas passadas, quando só a Globo transmitia.

Segundo dados do Poder360, a CazéTV acumulou mais de 2,5 bilhões de visualizações com a transmissão das 104 partidas da competição. Desses, o pico foi na semifinal França x Espanha (24,2 milhões), quebrado no mesmo dia em que a Globo não transmitiu uma semi de Copa pela primeira vez em 56 anos.

A guerra pela Copa de 2030 já começou

Menos de 48 horas após o apito final, o jornal Estadão já noticiava: a briga pelos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2030 — que será disputada em seis países (Marrocos, Portugal, Espanha, Argentina, Uruguai e Paraguai) — já colocou Globo e CazéTV em campos opostos. A CazéTV, que transmitiu todos os 104 jogos da edição de 2026, quer repetir a dose. A Globo, que perdeu a exclusividade de uma semi pela primeira vez, não quer abrir mão do torneio do centenário.

"A CazéTV provou que o modelo de transmissão aberta no YouTube é viável e lucrativo. Mas a Globo ainda tem o maior poder de fogo e a maior capilaridade. A briga será feroz", avalia analista de mídia consultado pelo Estadão.

O que explica o fôlego da TV aberta

Apesar do crescimento avassalador do digital, a TV aberta mostrou resiliência. O SBT — que muitos consideravam um coadjuvante na disputa — conseguiu se firmar como alternativa viável e registrou crescimento de audiência em relação a 2022, especialmente nos jogos do Brasil. A emissora de Silvio Santos aproveitou o investimento em direitos esportivos para alavancar sua programação como um todo.

Já a Globo comprovou que, mesmo perdendo parte da audiência para o digital, ainda é a maior plataforma individual de transmissão esportiva do país. Seu maior ibope em jogo sem Brasil na final prova que a marca Globo, associada ao futebol, continua sendo um ativo formidável.

CazéTV: o novo player que veio para ficar

Com 20,9 milhões de aparelhos conectados na final — e 24,2 milhões na semifinal —, a CazéTV de Casimiro se consolidou como o terceiro grande player da transmissão esportiva no Brasil. O canal, que começou como uma transmissão descontraída nas redes sociais, hoje compete de igual para igual com emissoras centenárias.

O fato de não ter renovado o recorde na final (ficou aquém dos 24,2 milhões da semi) não diminui seu feito. Manter 20,9 milhões de aparelhos conectados em um jogo sem Brasil é um número que qualquer emissora de TV aberta comemoraria.

O que esperar do futuro

A Copa de 2026 será lembrada como a Copa da transição. Foi quando o modelo de transmissão exclusiva na TV aberta morreu de vez e deu lugar a um ecossistema multiplataforma onde Globo, SBT e CazéTV coexistem e disputam cada minuto de atenção do telespectador.

Para a Copa de 2030, o cenário promete ser ainda mais competitivo. A Globo quer recuperar a hegemonia, a CazéTV quer manter o protagonismo digital e o SBT quer consolidar o crescimento. O torcedor, no fim das contas, é quem ganha: mais opções, mais acessibilidade e, paradoxalmente, mais audiência total do que nunca.

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Por Portal Bonner — redação independente.