TV aberta em 2026: por que o meio mais antigo ainda é o mais forte
Com R$ 9,7 bilhões em publicidade, 69% de confiança do público e recordes de audiência, a TV aberta brasileira vive em 2026 uma reinvenção que contraria o discurso de que o meio estaria em extinção.
Enquanto o discurso dominante insiste que a TV linear estaria em extinção, os dados de 2026 contam uma história diferente. A televisão aberta brasileira vive um momento de reinvenção e fortalecimento que merece uma análise mais cuidadosa.
Os números que contrariam a narrativa
Segundo dados do Cenp-Meios, a TV aberta recebeu R$ 9,7 bilhões em investimento publicitário em 2025, contra R$ 7,1 bilhões do display digital. O consumo de TV linear cresceu em todos os meses de 2026, de acordo com o Ibope. E mais: 69% dos brasileiros confiam na TV aberta, contra apenas 41% nas redes sociais (Ponto MAP/v-tracker).
A virada multiplataforma da Globo
A Globo entendeu que o futuro não é TV OU digital — é TV E digital. Em 2026, a emissora estruturou quatro pilares de atuação multiplataforma que integram TV linear, streaming, redes sociais e jornalismo em tempo real.
A GloboNews, que completa 30 anos em 2026, tem 83% da programação ao vivo e alcança 48 milhões de pessoas. Ganhou uma nova redação no Rio de Janeiro, com dois estúdios e um telão de 47 metros quadrados. O g1, com 20 anos, produz cerca de 700 reportagens por dia e lançou um novo app focado em vídeos verticais.
O debate presidencial que quebrou paradigmas
Pela primeira vez na história, o debate presidencial de 2026 irá ao ar logo após o Jornal Nacional, no horário da novela das 21h — uma decisão que mostra a força do horário nobre como vitrine para conteúdo de relevância nacional. As sabatinas viraram programas especiais nos Estúdios Globo, com produção digna de entretenimento.
Bonner, Felca e a nova linguagem
O "fator humano" também é parte da equação. William Bonner deixou o JN após 29 anos e foi para o Globo Repórter — sem teleprompter, com conversa mais fluida e intimista, alcançando 92 milhões de brasileiros por semana, sendo 3 milhões de jovens. Enquanto isso, o influenciador Felca comanda um quadro no Fantástico sobre saúde mental. Caco Barcellos participa de um reality para selecionar novos talentos do telejornalismo. A TV aberta não apenas sobrevive — ela se reinventa.
Streaming avança, mas não substitui
O streaming no Brasil já representa 37% da audiência da TV aberta (Ibope/Folha), e o investimento publicitário digital deve ultrapassar o da TV em 2026. Mas isso não significa substituição. A TV aberta dispara e amplia sua vantagem contra a TV paga e o streaming quando se mede alcance real e confiança do público. Enquanto isso, a TV por assinatura perdeu 1,6 milhão de clientes em 2025.
O que os números mostram é que a TV aberta brasileira — em especial a Globo — está fazendo algo raro: envelhecer bem. Não por resistir à transformação digital, mas por abraçá-la sem abandonar sua essência: a credibilidade construída ao longo de décadas.
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Por Portal Bonner — redação independente.