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Globo demite veteranos enquanto CazéTV bate recorde

Em menos de uma semana, Globo demitiu repórteres com décadas de casa, perdeu semi inédita da Copa e viu CazéTV bater recorde histórico de audiência

A última semana foi de contrastes históricos para o jornalismo brasileiro. De um lado, a Globo promoveu uma rodada de demissões que atingiu jornalistas com mais de 20 anos de casa — em Minas Gerais, São Paulo e outras praças. Do outro, a CazéTV bateu recorde de audiência no YouTube ao transmitir a semifinal França x Espanha, jogo que a Globo não exibiu pela primeira vez em 56 anos de Copas.

Os eventos, embora independentes, desenham um quadro comum: a televisão brasileira está mudando mais rápido do que nunca.

O corte em Minas Gerais

No dia 9 de julho, a Globo anunciou um corte histórico em Minas Gerais, demitindo dois nomes de peso do jornalismo local, entre eles uma apresentadora que estava há 17 anos na emissora. A decisão faz parte de um movimento mais amplo de reestruturação que, segundo fontes ouvidas pelo Terra e pelo UOL, atingiu também afiliadas em São Paulo e no interior do país.

A demissão da repórter Graciela Andrade, que lamentou publicamente a saída após mais de 20 anos na Globo, gerou comoção. "Bem triste", disse ela ao Estadão. Dias antes, a emissora também demitiu o narrador esportivo Sergio Arenillas, após 11 anos de casa, por considerar inadequado seu comportamento nas redes sociais.

O recorde que veio de fora

Enquanto a Globo cortava quadros históricos, a CazéTV anunciava números que impressionaram o mercado. A transmissão de França x Espanha, semifinal da Copa do Mundo de 2026, superou o jogo do Brasil em audiência na plataforma, segundo o LANCE!. A Máquina do Esporte confirmou: foi a maior live da história do YouTube no Brasil.

O feito é ainda mais significativo porque representa a primeira vez em mais de cinco décadas que a Globo não transmite uma semifinal de Copa. A emissora, que detinha o monopólio das transmissões desde a década de 1970, não conseguiu fechar acordo para exibir a partida entre França e Espanha, que ficou exclusiva da CazéTV.

O que os números dizem

Os dados da semana confirmam uma tendência que já vinha se desenhando: a audiência está migrando para o digital, e a TV aberta precisa se reinventar. Enquanto a Globo ainda domina a audiência total da Copa — com mais de 138 milhões de espectadores acumulados —, a CazéTV demonstrou que, em jogos específicos, consegue gerar picos de engajamento comparáveis aos da TV aberta.

Para o jornalismo da Globo, o desafio é duplo: ao mesmo tempo em que precisa conter custos (daí as demissões), precisa investir em novas plataformas para não perder o telespectador mais jovem. É uma equação que nenhuma emissora do mundo resolveu ainda completamente.

Leia mais: Wianey Pinheiro: o ofício de uma vida na TV brasileira

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Por Portal Bonner — redação independente.