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Wianey Pinheiro: o ofício de uma vida na TV brasileira

Morto aos 77 anos, Wianey Pinheiro testemunhou a transformação do jornalismo brasileiro — da morte de JK à era digital, sempre dentro da Globo

No dia 1º de junho de 2026, o jornalismo brasileiro perdeu um de seus nomes mais longevos e discretos. Wianey Pinheiro, morto aos 77 anos, carregava uma trajetória que é também a história da própria TV brasileira — começou na era do rádio e do preto-e-branco, cobriu a morte de um ex-presidente e construiu uma carreira de mais de quatro décadas na Globo.

O começo em tempos de chumbo

Nascido em 1949, Wianey Pinheiro iniciou a carreira jornalística ainda jovem, no rádio, quando o Brasil vivia os anos do regime militar. Sua grande oportunidade veio em 1976, quando foi escalado para cobrir a morte de Juscelino Kubitschek, o presidente que construiu Brasília e morreu em um acidente de carro na Via Dutra. A cobertura, feita para a TV Globo, marcou o início de uma relação que duraria décadas.

Na época, o telejornalismo brasileiro ainda engatinhava. O Jornal Nacional, criado em 1969, tinha apenas sete anos de existência. A morte de JK, em agosto de 1976, foi um dos primeiros grandes testes da cobertura ao vivo da emissora — e Wianey estava lá, no centro dos acontecimentos.

Quatro décadas de testemunha ocular

Ao longo de mais de 40 anos na Globo, Pinheiro cobriu desde eleições presidenciais até a redemocratização, passando pelo impeachment de Fernando Collor em 1992, pelos planos econômicos que marcaram o Brasil e pela transformação digital do jornalismo. Era daquela geração de repórteres que sabia fazer de tudo — reportagem de rua, política, economia, cultura.

Diferentemente de nomes que brilharam nas telas como âncoras, Wianey representava o jornalista de bastidor, aquele que está na base da pirâmide informativa. Sua morte, noticiada pela Folha de S.Paulo no obituário que trazia o título "Jornalista cobriu a morte de Juscelino Kubitschek e fez carreira na Globo", repercutiu como um lembrete do envelhecimento de toda uma geração de profissionais que construíram o jornalismo televisivo brasileiro.

O fim de uma geração

A morte de Wianey Pinheiro soma-se a uma série de perdas recentes que marcam o apagão de âncoras e repórteres históricos da TV brasileira. Nos últimos anos, a Globo viu saírem de cena nomes como Leilane Neubarth (que deixou o jornalismo diário após 47 anos), Cid Moreira (27 anos como âncora do JN) e Sérgio Chapelin (duas décadas na bancada).

Wianey não era um âncora — mas sua trajetória silenciosa diz mais sobre a TV brasileira do que muitos rostos famosos. Ele pertenceu àquela geração que aprendeu o ofício na prática, sem faculdade de jornalismo, sem redes sociais, sem os recursos digitais de hoje. Repórteres que carregavam um bloco de notas, um microfone e a disposição de viajar para qualquer lugar a qualquer momento.

Legado além da tela

O que fica da trajetória de Wianey Pinheiro é o exemplo de uma carreira dedicada ao fato, à apuração e à precisão. Num momento em que o jornalismo brasileiro enfrenta uma crise de credibilidade e a inteligência artificial ameaça substituir funções inteiras, histórias como a dele lembram que o jornalismo é, antes de tudo, um ofício de presença — de estar no lugar certo, na hora certa, com a pergunta certa.

Wianey viu o Brasil mudar, o jornalismo se transformar e a Globo se consolidar como a maior emissora do país. E, discretamente, ajudou a construir essa história.

Leia mais: Leilane Neubarth deixa jornalismo diário após 47 anos na Globo

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Por Portal Bonner — redação independente.