Quando o JN virou o palco dos presidenciáveis
Das entrevistas dos anos 1990 às sabatinas de 2026, o Jornal Nacional virou o rito que todo candidato à Presidência precisa enfrentar diante do país.
Um palco improvável
Antes de disputar as urnas, todo presidenciável brasileiro enfrenta hoje um teste que não está na lei: atravessar uma entrevista diante do Jornal Nacional. O que parece natural em 2026 é, na verdade, um rito construído ao longo de décadas, quando a TV aberta deixou de cobrir a eleição de fora e passou a ser o principal palco onde os candidatos se apresentam ao país.
O começo: quando a eleição entrava no estúdio
Nos anos 1980 e 1990, a cobertura eleitoral ainda era marcada por debates pontuais e matérias de campanha. A consolidação da entrevista individual com candidatos veio com a redemocratização, impulsionada pela regra da isonomia, que garante tratamento equilibrado entre os concorrentes no horário eleitoral (Lei das Eleições no Brasil). Foi nesse ambiente que o pleito passou a ser travado, também, dentro do telejornal mais assistido do país.
O peso de uma bancada
A bancada do JN deu aos momentos de sabatina um peso quase cerimonial. Sentar diante dos âncoras passou a funcionar como uma espécie de prova pública: o candidato tinha de responder, à vista de milhões, perguntas que nenhum comício conseguiria impor com a mesma força.
De Lula a Renan Santos: o mesmo palco
Dez anos depois de entrevistas históricas com os favoritos, a série de sabatinas de 2026 repetiu o gesto, mas com um detalhe revelador: o mesmo espaço de tempo e o mesmo cenário foram oferecidos também a candidatos com pequena rejeição e minúsculas intenções de voto. Renan Santos foi ao ar, defendeu a criação de uma bomba atômica e virou meme nas redes em poucas horas.
O legado do rito
A isonomia jornalística ainda é o argumento central da sabatina. Ao dar voz a todos, a TV aberta reafirma sua vocação de praça pública — ainda que, na era da fragmentação, o impacto dessas entrevistas seja crescentemente medido em memes e cortes para o celular, e não apenas em pontos de audiência.
Leia mais: De Tiririca a Augusto Cury: os candidatos que a TV criou
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Por Portal Bonner — redação independente.