56 anos de Copas na Globo: do monopólio à semi na CazéTV
De 1970 a 2026, a Globo transmitiu todas as semifinais de Copa. Agora, pela primeira vez, uma semi fica só na CazéTV. Entenda essa trajetória de 56 anos.
No dia 14 de julho de 2026, um fato inédito vai marcar a televisão brasileira: pela primeira vez em 56 anos, a Globo não transmitirá uma partida de semifinal de Copa do Mundo. O confronto entre França e Espanha será exibido com exclusividade pela CazéTV, nas plataformas digitais. A outra semi, Inglaterra x Argentina, terá transmissão compartilhada entre Globo, SBT, CazéTV, SporTV, GeTV e N Sports.
Para entender o peso desse momento, é preciso voltar ao início da trajetória da emissora nos Mundiais.
A primeira Copa da Globo: 1970
Em 1970, a Globo — que existia havia apenas cinco anos — conseguiu os direitos de transmissão da Copa do Mundo do México, superando a concorrência da TV Tupi e da Record. Foi o primeiro grande passo da emissora na consolidação do monopólio esportivo que duraria mais de meio século.
Naquele ano, o Brasil conquistava o tricampeonato com Pelé, e a Globo descobria o poder do futebol como motor de audiência. A partir dali, a emissora passou a investir pesado em direitos de transmissão, sempre garantindo os principais jogos da Seleção Brasileira e as fases decisivas do torneio.
O auge do monopólio: 1974 a 1998
Durante quase três décadas, a Globo foi a única casa da Copa no Brasil. Todas as semifinais, todas as finais, todos os jogos do Brasil — passavam pela televisão aberta da emissora carioca. Era uma relação simbiótica: a Copa alavancava a audiência da Globo, e a Globo levava a Copa a mais de 90% dos lares brasileiros.
Nomes como Galvão Bueno, Osmar Santos e Luciano do Valle se tornaram as vozes das Copas para gerações inteiras. A narração emocionada, as vinhetas temáticas e os intervalos comerciais lotados de anunciantes fizeram da Copa um evento nacional inseparável da marca Globo.
A primeira rachadura: 2018
Em 2018, algo mudou. Pela primeira vez, a Globo dividiu os direitos da Copa com outras emissoras: o SBT transmitiu 15 jogos exclusivos, incluindo partidas da Seleção. Foi o fim do monopólio absoluto. A audiência, no entanto, ainda era dominada pela emissora carioca.
A fragmentação total: 2022 e 2026
Na Copa de 2022, a fragmentação se intensificou com a entrada da CazéTV no mercado de transmissões esportivas. Em 2026, o cenário mudou de vez: a CazéTV, emissora digital comandada por Casimiro Miguel, conquistou direitos exclusivos de jogos importantes — e chegou ao ponto de tirar da Globo uma semifinal de Copa, algo impensável há poucos anos.
A Globo ainda detém a maior parte dos jogos. Nas oitavas de final, atingiu 137,9 milhões de brasileiros — número expressivo. Mas o símbolo é claro: a hegemonia de 56 anos nas fases decisivas da Copa foi rompida.
O que vem depois?
A perda da exclusividade marca o fim de um ciclo. A Globo ainda transmite a grande final e a disputa de 3º lugar, mas a CazéTV já deixou claro que veio para disputar espaço. Para o telespectador, ganha quem tem mais opções. Para a história da TV brasileira, o dia 14 de julho de 2026 será lembrado como o fim de uma era.
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Por Portal Bonner — redação independente.