Globo Repórter: 53 anos de histórias — de Sérgio Chapelin a William Bonner
Programa mais longevo da TV brasileira estreou em 1973 inspirado no 60 Minutes e hoje vive nova era com Bonner como repórter internacional
A origem de um clássico
O Globo Repórter nasceu em 3 de abril de 1973, há exatos 53 anos, da ideia de criar um programa jornalístico semanal nos moldes do 60 Minutes, da CBS americana. Idealizado por Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho), o programa substituiu o extinto Globo Shell Especial e rapidamente se tornou a principal vitrine do documentário jornalístico na televisão brasileira.
Na época, a Rede Globo ainda não dispunha de estrutura para produzir um programa com externas ao vivo. A solução foi adotar o modelo do Globo Shell Especial: cinedocumentários com narração em off do apresentador. O primeiro titular foi Sérgio Chapelin, que comandou o programa em três períodos distintos (1973-1983, 1986-1989 e 1996-2019) — um recorde de longevidade à frente de um mesmo programa no Brasil.
De Chapelin a Bonner: a linha do tempo
O Globo Repórter teve apenas sete apresentadores titulares em mais de cinco décadas. Sérgio Chapelin (1973-1983), Eliakim Araújo (1983-1986), Celso Freitas (1989-1996) e novamente Chapelin (1996-2019). Gloria Maria foi a primeira mulher a apresentar o programa (2010-2022), ao lado de Chapelin. Sandra Annenberg assumiu em 2019, e William Bonner entrou em 2026, após deixar a bancada do Jornal Nacional em novembro de 2025.
Bonner chegou ao Globo Repórter depois de 29 anos como âncora do JN — o segundo mais longevo da história, atrás apenas de Cid Moreira. Sua transição para o programa de documentários representou uma mudança radical de estilo: do rígido formato do telejornal ao ritmo mais solto e investigativo do GR.
As grandes viagens que marcaram época
O Globo Repórter sempre se destacou pelas grandes reportagens internacionais. Nos anos 1980 e 1990, o programa acompanhou expedições científicas, documentou conflitos geopolíticos e mostrou ao brasileiro culturas distantes. Jacques-Yves Cousteau, o comandante do Calypso, foi um dos nomes mais marcantes a colaborar com o programa.
Em 2026, Bonner deu continuidade a essa tradição ao estrear sua primeira reportagem internacional no programa: uma série especial sobre os países que vão sediar a Copa do Mundo de 2030 — Marrocos, Argentina, Uruguai e Paraguai. A série visitou os cenários que receberão o torneio do centenário e resultou em três recordes consecutivos de ibope para o programa.
"Eles têm muito orgulho do sucesso de 'O Clone'", brincou Bonner ao visitar Marrocos, referindo-se à novela global que fez enorme sucesso no país árabe. A declaração viralizou e mostrou o tom mais descontraído que o ex-âncora tem adotado no GR.
O formato que resiste ao tempo
Ao longo de 53 anos, o Globo Repórter passou por diversas reformulações — de cinedocumentário com narração em off a programa com apresentadores em estúdio e externas ao vivo. Mas sua essência permaneceu: contar histórias com profundidade jornalística e sensibilidade visual.
O programa já teve temporadas de reprises na faixa da madrugada (Seleção Globo Repórter) e nas manhãs de sábado e domingo. Em 2026, sua relevância se renova com a combinação de Sandra Annenberg e William Bonner na apresentação — uma dupla que une experiência de décadas e credibilidade junto ao público.
Legado e futuro
Com mais de 2.700 edições exibidas, o Globo Repórter é um dos programas mais longevos da TV mundial. Sua capacidade de se reinventar — do preto e branco ao 4K, do cinedocumentário às séries multiplataforma — explica por que ele continua relevante depois de cinco décadas.
A chegada de Bonner marca um novo capítulo. O ex-âncora do JN, que passou 29 anos sentado numa bancada, hoje viaja o mundo, entrevista pessoas nas ruas de Casablanca e Montevidéu, e redescobre o prazer do jornalismo de campo. Para o Globo Repórter, essa renovação pode significar outros 50 anos de histórias.
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Por Portal Bonner — redação independente.