A década de 2010 no Jornal Nacional: crise, renovação e furos históricos
De Patrícia Poeta a Renata Vasconcellos, da newsroom high-tech ao pedido de desculpas pelo golpe de 64 — os anos que transformaram o JN.
Os anos 2010 foram uma década de transformações profundas para o Jornal Nacional. Enquanto a política brasileira vivia momentos de alta tensão — das manifestações de 2013 ao impeachment de 2016 —, o principal telejornal do país passava por mudanças de elenco, cenário e dinâmica de produção que redefiniram sua identidade para a era digital.
A saída de Fátima Bernardes e a chegada de Patrícia Poeta
Em dezembro de 2011, a Globo anunciou uma das trocas mais emblemáticas da bancada do JN. Depois de quatorze anos ao lado de William Bonner, Fátima Bernardes deixou o telejornal para comandar o programa matutino Encontro com Fátima Bernardes. Quem assumiu a vaga foi Patrícia Poeta, então no comando do Fantástico. A transmissão ao vivo da passagem de bastão, em 5 de dezembro de 2011, tornou-se uma edição histórica do JN.
O editorial de 2013: 49 anos depois, um pedido de desculpas
Em 2013, pressionada pelas manifestações de junho que tomaram as ruas do país, a Globo reconheceu publicamente que o apoio editorial ao golpe militar de 1964 e ao regime subsequente foi um "erro". O editorial foi lido no Jornal Nacional e marcou uma rara inflexão na linha editorial da emissora, que durante décadas evitara revisitar aquele capítulo.
Renata Vasconcellos assume a bancada
Em setembro de 2014, nova mudança na apresentação. Patrícia Poeta anunciou ao vivo que deixaria o JN e seria substituída por Renata Vasconcellos, então no Fantástico. A partir de novembro daquele ano, Renata formou com Bonner a dupla que conduziria o telejornal durante os anos mais turbulentos da política nacional — e que se consolidaria como uma das mais longevas da história do JN, ao lado de Cid Moreira e Sérgio Chapelin.
O novo cenário de 2015 e a newsroom de 2017
Em abril de 2015, como parte das comemorações dos 50 anos da TV Globo, o JN estreou um novo cenário e adotou uma postura mais informal, com os apresentadores interagindo com repórteres por meio de um telão. Dois anos depois, em junho de 2017, veio a mudança mais impactante: o telejornal passou a ser apresentado dentro de uma newsroom de 1.370 m², integrada ao portal G1 e com um painel translúcido curvado de 15 metros de largura. As câmeras passaram a ser controladas remotamente, e a redação passou a rodear o cenário — símbolo da integração entre TV e digital.
Entrevista histórica com Palocci
Um dos momentos de maior repercussão da década foi a entrevista exclusiva com o ex-ministro Antonio Palocci, em 2011, que se estendeu por vários minutos e obrigou Bonner a encurtar outros blocos para comportar o conteúdo. A entrevista, dividida em duas partes, ocupou dois blocos do JN numa mesma sexta-feira e marcou a primeira manifestação pública de Palocci após denúncias da Folha de S.Paulo sobre seu patrimônio.
O legado da década
Os anos 2010 deixaram um JN mais integrado ao digital, com um cenário que reflete a fusão entre redação e estúdio, e uma bancada que passou por três duplas titulares diferentes. Foi também a década em que o telejornal enfrentou o desafio de cobrir uma crise política sem precedentes enquanto se reinventava internamente — um equilíbrio difícil que poucos veículos de TV conseguiram manter.
Leia mais: A década de 2000 no Jornal Nacional: digitalização, crise e renovação
Leia mais: A década de 1990 no JN: a era de ouro do jornalismo investigativo
📖 LIVRO RECOMENDADO
Jornal Nacional: Modo de Fazer
William Bonner
O livro que revela os bastidores do JN
VER NA AMAZON →Leia também
Globo nas copas: de 1970 a 2030, 60 anos de tv
A relação da Globo com a Copa do Mundo começou em 1970. Agora, com a briga pelos direitos de 2030, vale revisitar essa trajetória de seis décadas
Ler matéria →Globo Repórter: 53 anos de histórias — de Sérgio Chapelin a William Bonner
Programa mais longevo da TV brasileira estreou em 1973 inspirado no 60 Minutes e hoje vive nova era com Bonner como repórter internacional
Ler matéria →Bonner: a 1ª reportagem internacional no globo repórter
Após 30 anos no Jornal Nacional, Bonner estreia como repórter internacional do Globo Repórter em série sobre os países-sede da Copa do Mundo de 2030
Ler matéria →Comentários
Deixe seu nome e e-mail. Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.
Por Portal Bonner — redação independente.