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Globo nas copas: de 1970 a 2030, 60 anos de tv

A relação da Globo com a Copa do Mundo começou em 1970. Agora, com a briga pelos direitos de 2030, vale revisitar essa trajetória de seis décadas

No dia 21 de julho de 2026, a Globo divulgou um comunicado à imprensa com os números finais de sua cobertura da Copa do Mundo de 2026. Eram dados de alcance, audiência e penetração entre jovens — o tipo de métrica que a emissora usará como argumento nas negociações pelos direitos de transmissão do Mundial de 2030. O que poucos lembram, ao ver esses números, é que a história entre a Globo e a Copa do Mundo começou há mais de meio século, numa transmissão que parecia um teste de fogo.

1970: a primeira vez

Em 1970, a TV Globo transmitiu sua primeira Copa do Mundo. O Brasil de Pelé, Tostão e Rivellino conquistava o tricampeonato no México, e a emissora, fundada apenas cinco anos antes, dava seus primeiros passos no que se tornaria uma das marcas registradas de sua programação. A transmissão em cores, novidade à época, ajudou a consolidar a televisão como o grande meio de comunicação de massa no Brasil.

A partir dali, a Globo não perdeu uma edição sequer. De 1970 a 2022, foram 52 anos de monopólio na transmissão de Copas — um recorde que poucas emissoras no mundo podem ostentar. Cada edição trazia inovações tecnológicas, novos narradores e, principalmente, audiências estratosféricas que justificavam o investimento milionário em direitos.

1994: o salto de qualidade

A Copa de 1994, nos Estados Unidos, marcou um ponto de virada. Pela primeira vez, a Globo montou uma estrutura de transmissão comparável às grandes redes americanas. Galvão Bueno, que já era a voz das Copas desde 1982, consolidou-se como o narrador-símbolo do torneio. A conquista do tetracampeonato, com Romário e a final contra a Itália, foi o ápice de uma cobertura que se tornou referência mundial.

Foi também nos anos 1990 que o Globo Repórter começou a incorporar pautas relacionadas às Copas, enviando repórteres para os países-sede meses antes do torneio. Sérgio Chapelin, então âncora do Jornal Nacional, apresentava edições especiais do programa que mesclavam cultura, história e futebol.

2022-2026: a era da fragmentação

Em 2022, a Globo ainda detinha exclusividade, mas já enfrentava a concorrência de plataformas de streaming que compravam pacotes reduzidos. Em 2026, o cenário mudou radicalmente: pela primeira vez em 56 anos, a Globo não transmitiu uma semifinal de Copa. A CazéTV, canal do YouTube comandado por Casimiro, transmitiu parte dos jogos com exclusividade e bateu recordes de audiência — 20,9 milhões de aparelhos conectados na final.

Ainda assim, os números consolidados da Globo impressionam. A emissora alcançou 142,7 milhões de pessoas em suas três plataformas (TV Globo, SporTV e GE TV) durante o torneio — 58% mais que a CazéTV e 75% acima do SBT. O jogo Escócia x Brasil, na estreia, teve 53,6 milhões de espectadores.

2030: a nova fronteira

Com a Fifa já negociando os direitos para 2030, a Globo sabe que terá que disputar cada jogo. A CazéTV, que emergiu como concorrente real, quer um pacote exclusivo. O SBT, que transmitiu parte dos jogos em 2026, também consultou a Fifa para comprar partidas. A emissora carioca, no entanto, tem um trunfo que nenhuma concorrente consegue replicar: a memória afetiva de 60 anos de Copas.

De 1970 a 2026, foram 15 edições, centenas de jogos, dezenas de narradores e uma audiência acumulada que se mede em bilhões de espectadores. A história da Globo com a Copa do Mundo é, em muitos sentidos, a história da própria televisão brasileira. E essa história, ao que tudo indica, ainda tem muitos capítulos pela frente.

Leia mais: Globo celebra 142 milhões na Copa e prepara argumentos para direitos de 2030

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Por Portal Bonner — redação independente.