A década de 2020 no Jornal Nacional: pandemia, deepfake e a transmissão histórica
A pandemia de covid-19, a primeira deepfake eleitoral, a previsão do tempo com nova tecnologia e a despedida de William Bonner marcaram os anos mais transformadores do JN.
Se a década de 2010 foi a da renovação estética e editorial do Jornal Nacional, a década de 2020 consolidou o telejornal como pilar de credibilidade em meio a uma era de desinformação em escala industrial. Entre 2020 e 2025, o JN enfrentou desafios inéditos — de uma pandemia global à primeira deepfake envolvendo o nome de sua apresentadora, passando por uma transição histórica na bancada.
2020: o ano que parou o mundo
Em março de 2020, a pandemia de covid-19 transformou a rotina do Jornal Nacional. A Globo suspendeu o rodízio de apresentadores aos sábados e convocou Chico Pinheiro de volta para compor a escala de emergência. William Bonner passou a trabalhar também aos sábados, e novos nomes como Maju Coutinho e Rodrigo Bocardi estrearam na bancada em esquema especial.
No plano editorial, o JN foi alvo de críticas por não incluir a oposição ao governo Bolsonaro em suas repercussões de crise. O colunista Maurício Stycer, do UOL, publicou levantamento apontando que Lula, Haddad e Ciro foram sistematicamente ignorados nas matérias sobre instabilidade política.
2022: a primeira deepfake eleitoral
Em agosto de 2022, Renata Vasconcellos foi vítima de um ataque inédito: a primeira deepfake com fins eleitorais no Brasil usou inteligência artificial para falsificar a voz da apresentadora do JN, atribuindo a ela uma pesquisa eleitoral falsa. O episódio, revelado pela agência Lupa e pelo UOL, escancarou a nova fronteira da desinformação e obrigou a Globo a intensificar seus mecanismos de verificação.
2023: 10 mil dias de Bonner e a nova previsão do tempo
Em 18 de agosto de 2023, William Bonner atingiu a marca de 10 mil dias consecutivos como titular do Jornal Nacional — o maior reinado da história do telejornalismo brasileiro. No mesmo ano, a previsão do tempo ganhou novo cenário com tecnologias de realidade aumentada e grafismos sofisticados, estrelando Eliana Marques como nova meteorologista.
O JN também retomou o rodízio de apresentadores aos sábados em março de 2022, após dois anos de regime especial de pandemia, com a volta de Bocardi e âncoras locais.
2025: o adeus de Bonner e a nova era Tralli-Vasconcellos
O momento mais marcante da década aconteceu em 1º de setembro de 2025. Durante as comemorações dos 56 anos do telejornal, a TV Globo anunciou a saída de William Bonner da bancada após 29 anos consecutivos. Bonner — o apresentador mais longevo da história do JN — passou o bastão para César Tralli, então âncora do Jornal Hoje, que formou nova dupla com Renata Vasconcellos.
A transição foi celebrada com uma série de reportagens especiais e homenagens. Roberto Kovalick assumiu o Jornal Hoje no lugar de Tralli, em 10 de setembro de 2025.
Legado de uma década
A década de 2020 provou que o Jornal Nacional segue sendo referência de credibilidade num ecossistema de comunicação cada vez mais fragmentado. Entre deepfakes, pandemia e a saída de seu maior nome, o JN mostrou resiliência institucional e capacidade de reinvenção — qualidades raras num telejornal que completa 57 anos em 2026.
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Por Portal Bonner — redação independente.