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Benedito Ruy Barbosa: a gafe do JN e 60 anos de história

JN errou ao creditar 'Cambalacho' a Benedito Ruy Barbosa em homenagem póstuma. A rivalidade com Sílvio de Abreu e a trajetória do autor de 'Pantanal'.

Na noite de 7 de julho de 2026, o Jornal Nacional prestou uma homenagem a Benedito Ruy Barbosa, morto aos 95 anos vítima de doença renal crônica. A edição do telejornal mais assistido do país relembrou a trajetória do autor que marcou gerações com novelas como Pantanal (1990), Renascer (1993) e O Rei do Gado (1996). Mas um detalhe chamou a atenção dos telespectadores mais atentos: o JN creditou a Benedito a autoria de "Cambalacho", novela exibida em 1986 — que na verdade foi escrita por Sílvio de Abreu.

O erro que reacendeu uma rivalidade histórica

A gafe foi cometida durante a reportagem que celebrava o legado do autor. "Cambalacho", trama das 19h protagonizada por Fernanda Montenegro e Gianfrancesco Guarnieri, é uma das obras mais conhecidas de Sílvio de Abreu. No mesmo ano, Benedito Ruy Barbosa estava no ar com "Sinhá Moça", no horário das 18h. A confusão não passou despercebida nas redes sociais — e expôs ao grande público uma rivalidade de décadas entre dois dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira.

Em entrevista ao UOL em 2016, o próprio Benedito falou sobre a desavença: "Eu me dou bem com todos os autores, só não me dou bem com o Sílvio de Abreu. Jamais o tratei mal, ele também nunca me tratou mal. Mas eu não vejo nele condições para ler uma sinopse e decidir se a novela vai ou não para o ar." A declaração se referia ao episódio em que Sílvio de Abreu, como diretor de teledramaturgia da Globo, rejeitou sinopses de Benedito.

60 anos de história na TV brasileira

Nascido em Gália, interior de São Paulo, em 1931, Benedito Ruy Barbosa começou no teatro com a peça Fogo Frio, encenada pelo Teatro de Arena. Sua estreia na televisão foi em 1966, com Somos Todos Irmãos, na TV Tupi. Dali em diante, construiu uma obra que se confunde com a própria história da teledramaturgia nacional.

Seu tema mais constante foi a vida rural e interiorana, a cultura dos caboclos e a imigração no Brasil. "Pantanal", rejeitada pela Globo e exibida na Rede Manchete em 1990, tornou-se um fenômeno de audiência e é considerada um marco na TV brasileira. Anos depois, a Globo traria Benedito de volta ao horário nobre com "Renascer" (1993) e "O Rei do Gado" (1996), consolidando-o como um dos autores mais populares do país.

Remakes e legado familiar

Benedito viu suas obras serem revisitadas por diferentes gerações. Cabocla (2004), Sinhá Moça (2006) e Paraíso (2009) ganharam novas versões, adaptadas por suas filhas Edmara e Edilene Barbosa. Mais recentemente, Pantanal (2022) e Renascer (2024) foram recontadas por seu neto, Bruno Luperi, apresentando o trabalho do avô a uma nova audiência.

O JN e os erros históricos

A gafe com Benedito Ruy Barbosa não é o primeiro erro do Jornal Nacional em suas seis décadas de existência. Em 2019, o telejornal exibiu uma imagem errada ao noticiar a morte do apresentador Gugu Liberato. Em 2022, creditou uma declaração à pessoa errada durante a cobertura eleitoral. São raros, mas acontecem — e ganham proporção enorme justamente porque o JN é visto como padrão-ouro do telejornalismo brasileiro.

O que a gafe de 7 de julho revela, no fundo, é a complexidade de homenagear figuras monumentais da cultura brasileira. Benedito Ruy Barbosa construiu, ao longo de seis décadas, uma obra que atravessa gerações — e um deslize na autoria de uma novela não diminui o peso de sua contribuição para a TV brasileira.

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Por Portal Bonner — redação independente.