Como a globo transformou a transmissão de copa do mundo
Em 56 anos de copa, a Globo passou de pioneira na transmissão via satélite a líder multiplataforma com 138 milhões de espectadores em 2026.
Do satélite ao streaming: a trajetória da Globo nas copas
A história da TV brasileira se confunde com a história das Copas do Mundo. Em 1970, quando o Brasil conquistou o tricampeonato no México, a Rede Globo — então com apenas cinco anos de existência — deu um passo que mudaria para sempre o telejornalismo e a transmissão esportiva no país: foi a primeira emissora a transmitir jogos da Copa via satélite, em cores.
Naquele ano, o Jornal Nacional, que estreara em setembro de 1969, já era o principal noticiário do país e dedicou ampla cobertura à campanha de Pelé, Rivellino e Jairzinho. Pela primeira vez, os brasileiros podiam ver ao vivo, em tempo real, os jogos da seleção — e o país parou diante da TV para acompanhar o tricampeonato.
Os anos 1970 e 1980: hegemonia e inovação
A Copa de 1974, na Alemanha Ocidental, consolidou o modelo de transmissão que se tornaria padrão: equipe própria de narradores, comentaristas e repórteres enviados ao exterior. A Globo já dominava a audiência e, a cada quatro anos, investia pesado na cobertura.
Em 1978, na Argentina, a emissora inovou ao usar o sistema de câmera lenta e replay instantâneo nas transmissões. A Copa de 1982, na Espanha, foi a primeira transmitida integralmente em cores pela TV brasileira — e a seleção de Telê Santana, com Sócrates, Zico e Falcão, virou fenômeno cultural mesmo sem vencer.
Foi também na década de 1980 que o Jornal Nacional passou a dedicar editorias fixas para a Copa, com flashes ao vivo direto dos estádios europeus.
A era de ouro: 1994 e a Copa que parou o Brasil
A Copa de 1994, nos Estados Unidos, marcou um divisor de águas. Pela primeira vez, os jogos ocorriam em horário comercial — 12h30 no Brasil — e a audiência bateu recordes históricos. A final Brasil x Itália foi assistida por mais de 100 milhões de brasileiros. A Globo montou uma estrutura de transmissão que incluía helicópteros, mais de 30 câmeras e estúdio montado em Pasadena.
O Jornal Nacional ancorou a cobertura com flashes ao vivo e o "JN no Ar", um quadro exibido nos dias de jogo que se tornaria tradição. A conquista do tetra, com o gol de pênalti de Roberto Baggio batendo na trave, foi narrada por Galvão Bueno e entrou para a história da TV brasileira.
A virada do milênio e a Copa da tecnologia
A partir de 2002, a digitalização começou a mudar a forma de produzir e consumir futebol. A Globo transmitiu a Copa da Coreia do Sul/Japão com câmeras de alta definição e links de fibra ótica. Em 2014, com a Copa no Brasil, a emissora atingiu o ápice da produção: mais de 100 câmeras por jogo, drones, câmeras em campo e cobertura integrada com o Globoplay.
A Copa de 2022, no Catar, marcou a transição definitiva para o digital: a Globo transmitiu em 4K, com interatividade em tempo real e dados estatísticos sobrepostos à transmissão.
2026: o recorde histórico
A Copa do Mundo de 2026 — realizada em três países (Canadá, México e Estados Unidos) e com 48 seleções — é a maior e mais fragmentada da história. Apesar da concorrência com SBT e CazéTV, a Globo segue dominante.
Dados divulgados pela emissora em julho de 2026 mostram números impressionantes: 137,9 milhões de pessoas alcançadas somando TV Globo, sportv e Ge TV. São 38 as maiores audiências da competição, todas em transmissões da Globo. O jogo Escócia x Brasil lidera com 39 pontos, seguido por Brasil x Japão (36) e Brasil x Haiti (34).
O grupo registrou crescimento de 36% entre crianças e jovens de 4 a 34 anos, e o Ge TV viu sua audiência crescer 44% durante as oitavas. A TV aberta (Globo e SBT) responde por 89% de todo o público que acompanha a Copa.
O legado de 56 anos de transmissão
Em pouco mais de meio século, a Globo saiu de um estúdio improvisado no México para um ecossistema multiplataforma que integra TV aberta, TV por assinatura, streaming e redes sociais. O que não mudou é o papel central da emissora na experiência do brasileiro com a Copa.
Seja pelo rádio do vizinho nos anos 1950, pela TV em cores nos anos 1970 ou pelo celular com 5G em 2026, o futebol segue sendo o grande unificador nacional — e a Globo, a principal narradora dessa história.
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Por Portal Bonner — redação independente.