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Copa 2026: a guerra de audiência que ninguém vence sozinho

Globo, SBT e CazéTV disputam a atenção do torcedor ponto a ponto. Os números da estreia do Brasil revelam uma nova dinâmica na TV brasileira.

O jogo que começou antes da bola rolar

A Copa do Mundo de 2026 já entrou para a história como a mais fragmentada da televisão brasileira. Pela primeira vez, três grandes players disputaram a transmissão do jogo de estreia da seleção brasileira contra o Marrocos — e cada um deles saiu com um discurso de vitória diferente. A pergunta que fica é: quem realmente ganhou?

No último sábado, 13 de junho, Globo, SBT e CazéTV levaram ao ar o empate por 1 a 1 entre Brasil e Marrocos. Cada um com sua estratégia, seu público e, claro, seus próprios números de audiência. A análise dos dados revela menos uma disputa esportiva e mais um retrato da fragmentação da mídia brasileira.

CazéTV: o recorde mundial que veio do digital

A CazéTV, canal de Casimiro Miguel no YouTube, divulgou um dado impressionante: 12,7 milhões de dispositivos simultâneos durante o jogo, um recorde histórico mundial no YouTube para uma partida de futebol. O número representa um crescimento de 3,5 vezes em relação à estreia do Brasil contra a Sérvia na Copa de 2022.

Mas a CazéTV não parou por aí. Durante a abertura do torneio, México x África do Sul registrou pico de 5,4 milhões de dispositivos simultâneos — 8,3 vezes mais que a abertura de 2022. Nos três primeiros dias de Copa, o canal atingiu 48,4 milhões de aparelhos únicos, alta de 4,1 vezes sobre 2022.

O dado mais revelador, porém, é que a CazéTV não compete apenas com a Globo e o SBT: compete com toda a internet. Seu público é nativamente digital, jovem e acostumado a consumir conteúdo em múltiplas telas simultaneamente. Para esse espectador, a TV aberta já não é a primeira opção — é mais uma entre várias.

Globo: a força da TV aberta ainda impõe respeito

A Globo, por sua vez, divulgou números que mostram que a TV aberta continua sendo o meio de maior alcance. Na soma de suas plataformas — TV Globo, SporTV, GE TV e Globoplay — a emissora atingiu 49,9 milhões de pessoas na estreia da seleção. Entre os dias 11 e 13 de junho, 80,2 milhões de pessoas passaram pelos canais da Globo para acompanhar o torneio.

Na TV aberta, a Globo registrou 33 pontos de audiência no Painel Nacional de Televisão (PNT) e 54% de share, a melhor performance no horário das 19h às 21h aos sábados em dez anos.

No entanto, há um dado que acende um alerta: a Globo perdeu 33% de público na estreia do Brasil em comparação com 2022, enquanto a seleção cresceu em alcance total nas outras plataformas. O público está se espalhando, e a hegemonia da TV aberta, embora ainda real, está sendo corroída por dentro.

SBT: o terceiro player que veio para ficar

O SBT entrou na disputa com a NSports como parceira de transmissão e conseguiu números expressivos para quem nunca havia transmitido uma Copa. Embora não tenha divulgado dados tão detalhados quanto a Globo e a CazéTV, a emissora de Silvio Santos consolidou sua posição como terceira via na transmissão esportiva.

A entrada do SBT no mercado de direitos esportivos de alto impacto é um movimento estratégico que vem sendo construído desde a aquisição dos direitos da Copa do Mundo. Em 2026, a emissora já colhe os frutos, mesmo que ainda distante da liderança da Globo.

O que os números realmente significam

A análise dos dados de audiência da estreia da Copa de 2026 revela uma verdade incômoda para os defensores da TV linear: o público nunca esteve tão fragmentado, e essa fragmentação é irreversível.

A CazéTV prova que é possível construir uma audiência massiva fora da TV aberta. A Globo mostra que, apesar da perda relativa, ainda detém o maior alcance absoluto. O SBT demonstra que há espaço para um terceiro competidor no mercado de transmissões esportivas.

O grande vencedor dessa guerra? O telespectador, que hoje tem mais opções do que nunca para acompanhar o evento esportivo mais importante do planeta. E a verdade é que, nesse novo cenário, ninguém vence sozinho.

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Por Portal Bonner — redação independente.