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Décadas de 1970 e 1980 no JN: do incêndio à revolução tecnológica

Das cinzas do incêndio de 1976 à primeira vinheta eletrônica, o Jornal Nacional viveu transformações profundas entre os anos 1970 e 1980 — e saiu delas mais forte.

O Jornal Nacional completava poucos anos de existência quando a década de 1970 começou. O que se viu nos vinte anos seguintes foi uma transformação radical — não apenas no telejornal, mas na forma como a televisão brasileira se relacionava com a tecnologia, o jornalismo ao vivo e a própria identidade visual.

1976: o incêndio que quase destruiu a Globo

No dia 8 de outubro de 1976, um incêndio de grandes proporções atingiu a Central Globo de Produções, no Rio de Janeiro. O fogo destruiu cenários, equipamentos e arquivos históricos. A emissora precisou improvisar — e o Jornal Nacional foi um dos programas que demonstrou a capacidade de resiliência da equipe. Sem estúdio, as edições passaram a ser feitas em condições precárias, mas sem interrupção. O incêndio, ironicamente, acelerou a modernização técnica da emissora, que precisou reequipar seus estúdios com tecnologia de ponta para a época.

1977: Glória Maria e a revolução do ao vivo

Em 1977, Glória Maria tornou-se a primeira repórter brasileira a entrar no ar ao vivo. Na ocasião, foram inaugurados equipamentos portáteis para transmissão de imagens — um marco que mudou para sempre a relação entre o JN e o telespectador. Até então, as reportagens eram gravadas em filme e exibidas com atraso. Pela primeira vez, o Brasil via ao vivo e em tempo real a apuração jornalística.

1978: o fim do filme de 16mm

No ano seguinte, o Jornal Nacional começou a substituir o filme de 16 milímetros pela ENG — Electronic News Gathering. A tecnologia permitia a edição eletrônica de videoteipe, agilizando drasticamente a produção de reportagens. O que antes levava horas para ser revelado e editado passou a ser feito em minutos. A ENG foi, para o telejornalismo brasileiro, o equivalente à entrada da internet para o jornalismo impresso: uma ruptura técnica que redefiniu os prazos e as possibilidades da notícia.

1983: Celso Freitas e a primeira vinheta eletrônica

Os anos 1980 trouxeram novidades na bancada e na tela. Em 1983, Sérgio Chapelin deixou o JN para integrar o SBT, onde comandaria programas de auditório. Em seu lugar, entrou Celso Freitas, que já apresentava eventualmente o telejornal. A dupla Moreira e Freitas permaneceu junta até 1989.

Foi também em 1983 que o JN ganhou sua primeira vinheta eletrônica — um sinal dos tempos. A identidade visual do telejornal, que até então era relativamente modesta, passou a incorporar os recursos da computação gráfica emergente.

1989: novo cenário, nova abertura, novo logotipo

O ano de 1989 marcou uma renovação completa da identidade visual do Jornal Nacional. Novo cenário, nova abertura e novo logotipo foram ao ar — uma preparação para a década seguinte, quando o telejornal entraria em sua fase de maior prestígio editorial. Curiosamente, 1989 foi também o ano em que Sérgio Chapelin retornou à Globo e reassumiu a bancada ao lado de Cid Moreira, formando novamente a dupla que mais tempo apresentaria o JN.

Legado de uma era de transformação

O que as décadas de 1970 e 1980 ensinaram ao Jornal Nacional foi a arte da reinvenção. Do incêndio de 1976 à chegada da ENG, passando pelo ao vivo e pelas inovações visuais, o telejornal aprendeu que sobreviver é se adaptar. Essas lições valeriam ouro nas décadas seguintes — quando a concorrência com a TV por assinatura, a internet e as plataformas digitais exigiriam o mesmo espírito de transformação.

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Por Portal Bonner — redação independente.