Globo e SBT dominam 90% da audiência da copa: o fim da fragmentação?
Ibope mostra Globo e SBT com 90% da audiência da Copa, enquanto CazéTV e streaming ficam com fatia mínima. Uma análise do que isso revela sobre o consumo de TV no Brasil.
Dados recentes do Ibope revelam um dado surpreendente em plena era da fragmentação digital: Globo e SBT, juntos, concentram 90% da audiência da Copa do Mundo de 2026 na TV aberta. O número, divulgado na última semana, coloca em xeque o discurso de que o futuro da televisão é exclusivamente sob demanda e fragmentado.
O dado que contraria a narrativa
Enquanto plataformas como CazéTV, NSports e streamings investem pesado em direitos esportivos, o Ibope mostra que o brasileiro ainda prefere assistir à Copa na TV linear. Globo e SBT, que dividem os direitos de transmissão do torneio no Brasil, somam nove em cada dez telespectadores sintonizados em jogos da competição.
A CazéTV, que em 2022 foi apontada como a grande disruptora da transmissão esportiva, aparece com números expressivos no digital (milhões de visualizações), mas ainda distante do alcance da TV aberta quando o critério é audiência consolidada no Ibope.
Por que a TV aberta ainda vence?
Três fatores explicam a hegemonia da TV aberta na Copa:
- Ubiquidade: todo domicílio brasileiro tem acesso à TV aberta, enquanto o digital ainda enfrenta barreiras de conectividade e dados móveis
- Evento compartilhado: a Copa mantém seu caráter de evento social, reunindo famílias e grupos em frente à televisão — comportamento que o consumo individual em telas menores não reproduz
- Tradição: o hábito de assistir a jogos na Globo (desde 1970) e no SBT (que voltou a investir em esportes) está enraizado na cultura brasileira
O que isso significa para o jornalismo esportivo?
A concentração de audiência tem implicações diretas no jornalismo esportivo. Com a maior fatia do público, Globo e SBT pautam o debate, determinam quais narrativas ganham destaque e controlam o acesso a bilhões de reais em publicidade.
Para o telespectador, o cenário é ambíguo. Por um lado, a TV aberta oferece cobertura gratuita e de qualidade a toda a população. Por outro, a concentração reduz a diversidade de perspectivas — algo que a fragmentação digital prometia resolver, mas que na prática ainda não se concretizou.
O futuro é híbrido
Não se trata de declarar o fim da fragmentação. O que os números mostram é que o modelo híbrido — TV aberta para o grande público, digital para nichos e engajamento — continua sendo a aposta mais realista. A Globo, que atingiu 133 milhões de pessoas nos primeiros 23 dias da Copa em todo seu ecossistema (TV aberta, fechada e digital), entendeu isso melhor do que ninguém.
A CazéTV e outras plataformas digitais não vão desaparecer. Mas os números da Copa de 2026 deixam claro: a TV aberta brasileira está longe de ser uma tecnologia do passado. Ela é, ainda, o principal palco do esporte nacional.
Leia mais: Globo atinge 133 milhões de pessoas nos primeiros 23 dias da copa
📖 LIVRO RECOMENDADO
Supercomunicadores
Charles Duhigg
Como desbloquear a linguagem secreta da comunicação
VER NA AMAZON →Leia também
Final da Copa 2026: Globo lidera, CazéTV cresce e a nova jogada
Maior ibope em jogo sem Brasil na Globo, 20,9 milhões na CazéTV e SBT consolidado: o que os números revelam sobre o futuro do futebol na TV
Ler matéria →O paradoxo da Copa 2026: audiência total cresce, TV aberta perde
Final da Copa 2026 expõe o paradoxo da audiência: streaming impulsiona o total com 5% de crescimento, mas Globo perde 22% do público em relação a 2022
Ler matéria →A partida de Renato Machado e o futuro do telejornalismo na TV
A morte de Renato Machado, somada às saídas de Bonner, Leilane e Renata, escancara o desafio da Globo de formar novas referências no jornalismo.
Ler matéria →Comentários
Deixe seu nome e e-mail. Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.
Por Portal Bonner — redação independente.