Leilane Neubarth: 47 anos de história na TV brasileira
Leilane Neubarth, uma das jornalistas mais longevas da TV, anunciou saída do jornalismo diário após 47 anos de Globo. Do JN à GloboNews, a trajetória.
Das diretas já ao Rock in Rio: os anos 1980
Carioca de 1958, Leilane Neubarth Teixeira formou-se em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e iniciou sua carreira profissional na Rede Globo em 1979. Aos 25 anos, em 1984, já era apresentadora do Jornal da Globo — um feito notável para uma mulher tão jovem no telejornalismo brasileiro.
Foi nas Diretas Já, no entanto, que Leilane marcou seu primeiro momento histórico na TV. A Globo havia proibido a menção das manifestações, mas ela apareceu no Jornal da Globo vestida de amarelo da cabeça aos pés — um gesto silencioso de apoio ao movimento. Ao final da edição, um sorriso rasgado que entrou para a história. Era o jornalismo político se fazendo de maneiras não verbais.
Rockeira assumida, Leilane também cunhou o termo "metaleiro" durante a cobertura do primeiro Rock in Rio — palavra que, apesar de nunca ter agradado inteiramente aos headbangers, entrou para o vocabulário popular brasileiro.
Rede Manchete e o retorno à Globo
Em 1989, Leilane fez uma pausa na Globo e foi para a Rede Manchete, onde apresentou o Programa de Domingo e o telejornal Noite Dia. Voltou em 1991 para fazer inúmeras reportagens especiais e apresentar eventualmente o Fantástico e o Jornal Hoje.
Seu período mais marcante, porém, viria a seguir.
O Bom Dia Brasil e a audiência triplicada
De 1996 a 2002, Leilane apresentou o Bom Dia Brasil ao lado de Renato Machado. Sob seu comando, a audiência do programa foi triplicada — um feito que poucos apresentadores conseguem ostentar no currículo. No ano 2000, foi mediadora do debate entre candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro pela Rede Globo, consolidando sua imagem como uma das âncoras mais respeitadas do país.
Em 2003, deixou o Bom Dia Brasil para voltar a ser repórter, mas em 2004 retornou à ancoragem pelo Brasil TV e depois pelo RJTV 2ª Edição, onde acumulou as funções de apresentadora e editora executiva.
Paris Dacar: a jornalista aventureira
Em 1999, Leilane participou da 21ª edição do Rali Paris Dacar — um dos mais perigosos do mundo — na categoria caminhão. Em parceria com o veterano André Azevedo pela equipe "BR Lubrax", conquistou o terceiro lugar em sua categoria. A experiência rendeu o livro "Faróis de Milha", de sua autoria.
GloboNews: 12 anos de liderança
A partir de 2009, Leilane assumiu a apresentação do Jornal GloboNews - Edição das 18h, onde permaneceu por 12 anos. Depois, apresentou o Conexão GloboNews até 7 de julho de 2026, quando anunciou sua saída do jornalismo diário.
A pandemia de 2020 a afastou temporariamente das telas, como ocorreu com todos os jornalistas da Globo com mais de 60 anos, mas Leilane retornou com novas funções após o fim da crise sanitária. Aos 67 anos, sua decisão de encerrar o ciclo diário não significa aposentadoria — ela descartou esse termo publicamente, deixando em aberto novos projetos.
Legado e pioneirismo
Leilane Neubarth representa uma geração de jornalistas mulheres que abriram caminho na TV brasileira. Não foi a primeira âncora mulher — Lillian Witte Fibe ocupou esse posto antes, no próprio JN — mas foi uma das mais longevas e versáteis, transitando entre apresentação, reportagem, debates, rali e literatura com naturalidade.
Seu estilo direto, culto e sem afetação — somado a um senso de oportunidade histórica que poucos têm — a coloca entre as figuras mais relevantes do telejornalismo brasileiro dos últimos 50 anos.
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Por Portal Bonner — redação independente.