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Lillian Witte Fibe: a primeira âncora mulher do JN

Lillian Witte Fibe foi a primeira mulher a ancorar o Jornal Nacional. Da Gazeta Mercantil à bancada do JN, sua trajetória marcou o telejornalismo brasileiro.

Quando William Bonner e Lillian Witte Fibe sentaram-se lado a lado na bancada do Jornal Nacional em 1º de abril de 1996, a história da televisão brasileira ganhava um novo capítulo. Pela primeira vez, uma mulher assumia o posto de âncora do principal telejornal do país — e não por acaso.

Os primeiros passos no jornalismo

Formada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo, Lillian começou a carreira na Folha de S. Paulo ainda durante a faculdade, onde trabalhou na editoria de Educação sob o comando de Perseu Abramo. Pouco depois, migrou para a Gazeta Mercantil, onde se especializou em economia — área que se tornaria sua marca registrada.

Em Brasília, onde viveu por três anos, cobriu o ministro Mário Henrique Simonsen e consolidou sua reputação como repórter de economia. A estreia na televisão veio em 1982, como comentarista econômica da Rede Bandeirantes.

A chegada à Globo e o encontro com Bonner

Lillian entrou na Rede Globo em 1987 como repórter do Jornal Nacional. No fim dos anos 1980, passou a apresentar o Globo Economia e a fazer comentários sobre economia e política no JN. Em 1989, participou do icônico Palanque Eletrônico ao lado de Joelmir Beting e Alexandre Garcia, entrevistando todos os candidatos à Presidência.

Entre 1991 e 1993, teve uma passagem pelo SBT, onde apresentou o primeiro Jornal do SBT. Retornou à Globo em 1993 para ancorar o Jornal da Globo — e foi lá que iniciou uma parceria profissional com William Bonner que mudaria o telejornalismo brasileiro.

O momento histórico: 1996

A reformulação do jornalismo da Globo, comandada por Evandro Carlos de Andrade, decidiu que a transição do JN teria Lillian como a primeira âncora mulher do telejornal, ao lado de Bonner. Foi uma escolha ousada para a época: ela substituía Sérgio Chapelin, que dividira a bancada com Cid Moreira por duas décadas.

"Ela se destacou como uma das primeiras mulheres a ocupar um espaço de destaque nos telejornais, especialmente na área econômica", registra o Memória Globo.

Lillian permaneceu na bancada do JN entre 1996 e 1998, quando foi substituída por Fátima Bernardes. Em seguida, reassumiu o Jornal da Globo, que apresentou até 2000.

O legado além da bancada

Após deixar a Globo, Lillian inovou mais uma vez: tornou-se âncora de noticiários na internet, apresentando o Jornal da Lílian no portal Terra. Em 2008, comandou o Roda Viva na TV Cultura. Voltou à Globo como comentarista no quadro Meninas do Jô, do Programa do Jô, onde permaneceu até 2016.

Com 72 anos, Lillian segue uma referência — não apenas como a primeira mulher a ancorar o JN, mas como uma jornalista que atravessou décadas de transformação na mídia brasileira sem perder a autoridade nem a independência que marcaram sua carreira desde os tempos de repórter de economia em Brasília.

O que mudou para as mulheres no telejornalismo?

A passagem de Lillian pelo JN abriu caminho para que outras mulheres ocupassem a bancada principal — de Fátima Bernardes a Renata Vasconcellos, que hoje comanda o telejornal ao lado de César Tralli. Mas o caminho ainda tem desafios. Em 2026, a presença feminina nas bancadas dos telejornais brasileiros já é maioria, mas o reconhecimento editorial e a equidade salarial seguem como pautas abertas.

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Por Portal Bonner — redação independente.