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Pânico ultrapassa GloboNews: o jornalismo 24h perde a liderança?

O programa humorístico da RedeTV! ultrapassou a GloboNews no ibope da TV paga. O dado acende um alerta sobre o futuro do jornalismo 24 horas no Brasil.

O dado que acendeu o alerta

No dia 23 de julho de 2026, um dado chamou a atenção do mercado de televisão brasileiro. O Pânico, programa humorístico da RedeTV!, superou a GloboNews na audiência entre canais de notícias da TV paga, liderando o ranking do segmento, segundo dados do NaTelinha. O feito, que pode parecer anedótico, revela um fenômeno mais profundo: a crise de identidade do jornalismo 24 horas no Brasil.

A GloboNews, que completa 30 anos em 2026, enfrenta o que o próprio NaTelinha classificou como sua "pior crise em 30 anos". Em 17 dias, a emissora anunciou mudanças na programação, reformulação dos telejornais matinais e a saída de nomes históricos como Leilane Neubarth. A audiência em baixa e a concorrência cada vez mais agressiva explicam o movimento.

Humor vence informação: um sintoma

Não é de hoje que o entretenimento rouba a audiência da informação. Nos Estados Unidos, canais como CNN e MSNBC já perderam espectadores para programas de opinião e entretenimento político há anos. No Brasil, o movimento é mais recente, mas igualmente significativo.

O que o dado do Pânico revela não é que o humor é melhor que o jornalismo — é que o público da TV paga está migrando para formatos mais leves, mais opinativos e mais engajantes. Enquanto a GloboNews mantém um tom institucional e factual, canais concorrentes como a Jovem Pan e a CNN Brasil apostam em debates acalorados e personalidades midiáticas que atraem mais espectadores.

A resposta da GloboNews

A emissora já iniciou um processo de reformulação. Em agosto de 2026, estreia um novo telejornal matinal comandado por Camila Bomfim, que deixou o Jornal Nacional para assumir o projeto. A mudança é parte de uma estratégia maior de rejuvenescimento da grade e modernização da linguagem.

Mas a pergunta que fica é: até que ponto o jornalismo 24 horas pode se adaptar sem perder sua essência? Se a GloboNews ceder à pressão por entretenimento, corre o risco de se tornar mais um canal de opinião. Se mantiver o tom tradicional, pode continuar perdendo audiência para concorrentes mais ágeis.

O paradoxo do momento

O mais curioso é que, enquanto a GloboNews enfrenta sua pior crise, o telejornalismo da TV aberta vive uma fase oposta. O Jornal Nacional registrou em junho sua melhor audiência em quatro anos, segundo O Globo. O Globo Repórter, sob comando de Bonner, acumula recordes. E o "Que História É Essa, Porchat?" estreou temporada com o melhor ibope em dois anos.

A chave parece estar no formato: na TV aberta, o jornalismo documental e o entretenimento de qualidade encontram espaços definidos e complementares. Na TV paga, onde a oferta de canais é enorme e o telespectador tem o controle remoto na mão, a competição é mais selvagem — e o humor está vencendo.

O que o Pânico fez em 23 de julho foi apenas um sintoma de uma transformação maior. O jornalismo 24 horas no Brasil precisa se reinventar — e rápido — antes que a próxima geração de telespectadores nem sequer saiba onde encontrar a GloboNews no dial.

Leia mais: Porchat abre temporada na Globo com melhor ibope em 2 anos

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Por Portal Bonner — redação independente.