O apagão de âncoras: quem ocupará o lugar dos gigantes?
Leilane Neubarth, Bonner e Lillian deixam bancada. A saída da geração histórica do JN levanta questão urgente sobre o futuro do telejornalismo brasileiro.
Em menos de um ano, o telejornalismo brasileiro perdeu três de suas maiores referências da bancada. William Bonner deixou o Jornal Nacional em outubro de 2025. Lillian Witte Fibe reduziu drasticamente sua presença na TV. E agora Leilane Neubarth, após 47 anos de Globo, anuncia sua saída do jornalismo diário.
É um apagão de âncoras como não se via desde os anos 1990, quando Cid Moreira e Sérgio Chapelin cederam lugar à nova geração. Mas há uma diferença fundamental: o contexto é outro, e a pergunta que fica é: quem está preparado para ocupar esses lugares?
O fim de um ciclo geracional
Bonner, Lillian e Leilane representam três perfis distintos de liderança na bancada. Bonner era o comandante do principal noticioso do país — figura de autoridade, rosto do JN por 29 anos. Lillian foi a primeira mulher a ancorar o Jornal Nacional, quebrando um teto de vidro em 1996. Leilane, por sua vez, foi a âncora versátil: passou por todos os formatos, do jornalístico matinal ao de debates, do rali ao livro.
A saída simultânea desses três nomes não é uma coincidência. É o encerramento natural de uma geração que entrou na Globo entre o fim dos anos 1970 e meados dos 1980, cresceu com a consolidação do JN como produto nacional e viveu a era de ouro do telejornalismo.
O mercado tem substitutos à altura?
A Globo já deu sinais de sua aposta: Renata Vasconcellos e Rodrigo Bocardi no JN, Marcelo Tralli na bancada. Na GloboNews, nomes como Andréia Sadi e Julia Duailibi vêm ganhando espaço. Mas a pergunta é menos sobre talento individual e mais sobre capital simbólico acumulado.
Uma âncora como Leilane Neubarth não se constrói em dois ou três anos. São décadas de credibilidade, de acertos e erros ao vivo, de uma relação de confiança com o telespectador que não se transfere automaticamente para o sucessor. O público não troca de âncora como troca de canal.
O risco da fragmentação
Num momento em que a TV aberta disputa atenção com streaming, YouTube e redes sociais, a figura da âncora como ponto de referência nacional se torna ainda mais estratégica. Perder nomes com esse peso sem ter substitutos com capital simbólico equivalente é um risco real de erosão de audiência no médio prazo.
A Globo, historicamente, soube fazer transições de bancada sem trauma — de Cid para Chapelin, de Chapelin para Bonner. A diferença é que naquelas épocas não havia concorrência fragmentada. Hoje, o telespectador que não se identifica com o novo âncora tem mil opções a um clique.
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Por Portal Bonner — redação independente.